Declan Rice festeja golo a França - Foto: IMAGO

O elemento Rice na fórmula Tuchel

'The Big Picture - o Mundial que não se vê' é o espaço de crónica diário durante o Campeonato do Mundo de Luís Mateus, editor-executivo de A BOLA

Não há treinador que não procure a equipa perfeita, entre balões, tubos de ensaio, bicos de Bunsen, pipetas e constantes ameaças de explosão. Thomas Tuchel ficou muito mal visto (com razão) quando despiu a bata do experimentalismo para colocar quatro centrais numa linha de 5 para defender o 1-0 diante da Argentina nas meias-finais.

No entanto, já sou capaz de entender quando fez alinhar, na maior parte dos jogos, Elliot Anderson e Declan Rice atrás de Jude Bellingham, aquele que mais se assemelhou a um líder, mesmo com Harry Kane sempre presente e em todo o lado. O técnico alemão acreditou que a soma dos três formava um meio-campo inglês imbatível, com dimensão física e inteligência tática superlativas e ainda capacidade de chegada e criatividade. E, na verdade, as primeiras conclusões foram precisamente essas: era um meio-campo poderoso e o principal alicerce da candidatura britânica a levar o troféu novamente para casa, 60 anos depois.

Só que o agora reforço do Manchester City e o médio do Real Madrid foram dos melhores da seleção dos Três Leões no Mundial das Américas, o campeão inglês pelo Arsenal esteve uns furos bem abaixo. O que contrariou a teoria de Tuchel. Porque talvez Rice e Anderson não se tenham conseguido distinguir entre o 6 e o 8, e a divisão de funções prejudicou aquele que se assume como primeiro grande organizador na sua equipa e nos últimos anos na equipa nacional. Na verdade, foram pouco complementares e talvez devesse ter optado por um e juntado um elemento mais criativo ao seu 11. Como sempre, é mais fácil falar depois.

Fosse ou não coincidência, o jogo de ontem com a França, de atribuição do terceiro e quarto lugares, arrancou com um 'statement'. Aos três minutos, Rice adivinhou que Doué ia fazer um passe a cruzar todo o meio-campo. Recuperou a bola e assumiu a transição. À entrada da área, foi novamente o velho Declan. O remate forte e colocado deixou Maignan sem hipótese de reação. Talvez Tuchel tenha mesmo de reconstruir a fórmula.

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