Mundial
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A equipa, sempre!
Duas ideias, duas identidades. Uma engoliu a outra. A Espanha nem precisou que a sua maior estrela, que não chegou ao Mundial na maior das condições, fosse decisiva. Mesmo quando arrancou o penálti de Digne, houve mais infantilidade do lateral do que génio do menino. Apenas matreirice. Yamal deu algumas dores de cabeça e não foi necessário mais.
A Roja quis, como sempre, a sua mais-que-tudo. Com esta, estabeleceu as condições em que se ia jogar. Diminuiu o número de situações em que podia ser ferida. Sem bola, foi agressiva, ativou a contra-pressão para recuperá-la, mas esteve sobretudo blindada. Rodri nunca perdeu de vista o melhor francês do torneio, Olise, e a entreajuda anulou sucessivamente Dembélé, Mbappé e Barcola (e depois Doué e Cherki). Unai Simón esteve fortíssimo no controlo da profundidade. E permitam-me que sublinhe novamente Olmo. Joga como se fosse sempre obrigado a provar algo e fá-lo com gosto.
Les Bleus não deixaram o relvado sem ouvir olés. E, apesar de não ser bonito, mereceram-nos. Não houve vertigem. O génio foi totalmente anulado. A equipa com maior densidade de talento por cromossoma, hiperfavorita, caiu diante de um jogar consolidado, que de tempos a tempos ressurge, com alelos um pouco diferentes, para reconquistar o mundo.
Em casa, dentro das suas fronteiras, os gauleses viram um espanhol levar o PSG ao bicampeonato continental. Só que não há nenhum Luis Enrique, um verdadeiro arquiteto, no gestor Deschamps. O selecionador terá sempre 2018 e o seu capítulo na história, ainda que tenha passado várias vezes ao lado da glória sem consequências. Virá Zidane e terá uma Geração de Ouro para trabalhar. Já Mbappé daqui a umas semanas voltará a Madrid, mas não como herói. Para uma equipa dependente do individual, ainda que com um novo treinador. E uma ideia bem coletiva no topo do ecossistema: o Barcelona.
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