Mundial
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A primeira estrela é marroquina
Só será revelação para quem não o conhece, para quem ainda não o descobriu, com os seus 18 anos e maturidade de adulto, a impulsionar o meio-campo do Lille, um emblema que motiva pouco interesse junto dos portugueses, sobretudo nesta fase da sua história. Não é que os grandes clubes precisassem vê-lo nos grandes palcos, ainda que por vezes cedam à tentação de esperar por um Mundial para confirmar nomes na lista de compras, se o scouting estiver a funcionar como deveria.
Ainda mais porque uma competição tão curta e concentrada, com motivações especiais, já mostrou ser, no passado, fértil para más decisões. Quem não se lembra de Schilacci, El-Hadji Diouf, Kléberson, Oleg Salenko ou Asamoah Gyan? Todos brilharam e falharam depois. Isso não irá acontecer, garanto, com Ayyoub Bouaddi, que destroçou um meio-campo com Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá, saindo em drible ou em velocidade, recuperando a bola e lutando em inúmeras divididas. As estatísticas confirmam-no: 91% de eficácia no passe, mas 100% no último terço, 6 recuperações de bola, 5 interceções, 9 duelos ganhos. Uma master class diante de uma equipa vampiresca, a tentar sugar talento que já não tem de tudo o que vê à sua frente.
Não jogou sozinho. Teve do seu lado o mais brasileiro dos brasileiros: Brahim Díaz, tormento para um Escrete que ainda tem de evoluir antes de parecer ameaçador. Não o será este Brasil de quatro centrais, dois a fingir como laterais, sem ninguém a dar largura à direita e com um trio de médios tão permissivo na defesa quanto inócuo na criação. Marrocos ficou perto de escrever história e chocar o mundo.