Mundial
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A força e a técnica no miúdo Manzambi
Quando ouvíamos Gabriel Alves (um forte abraço, meu caro!) falar da dicotomia da «força da técnica contra a técnica da força» durante os grandes jogos, vivíamos essas palavras como se formassem mundos opostos, inconciliáveis, em permanente choque. O futebolista dotado de boa técnica dificilmente se conseguia impor através da dimensão física, porque raramente a tinha, e ao mesmo tempo um panzer não era capaz de fintar meio mundo, devido à pouca habilidade e, eventualmente, ao alto centro de gravidade.
Olhávamos para os alemães, os mais bem-sucedidos representantes da fisicalidade, e o drible era contranatura. Claro que houve Beckenbauer, Littbarski, Hassler, Overath, Schuster e Netzer, e muitos outros depois da revolução espoletada por Sérgio Conceição em 2000, porém na nossa juventude e início de fase adulta os exemplos eram curtos.
Ao mesmo tempo, víamos os brasileiros e os argentinos no plano oposto: Pelé tinha algum músculo, mas dificilmente o considerariam um tanque, e ainda menos Garrincha, Zico, Sócrates, Rivaldo, Ronaldinho, Tostão, Rivellino, Maradona, Messi, Ardiles, Kempes, Piojo López e mesmo Batistuta, entre tantos outros. Talvez o Fenômeno me faça morder a língua, tantas as vezes que se transformava num comboio serpenteante, todavia a própria alcunha me ajuda a considerá-lo exceção e não regra.
Entretanto, há um suíço chamado Johan Manzambi que é tudo isso. Tem 20 anos e já leva três golos neste Mundial. Conhecemo-lo do Friburgo, mas é pouco provável que lá volte, tal a dimensão que está a ganhar, ele que nem começou como titular. É um portento, com 1,82 metros de altura, que aguenta o choque com todas as barricadas que lhe colocarem no caminho. Controla a bola como poucos. Sabe driblar, passar e finalizar. E a tomada de decisão é muito boa. Ninguém tem uma autonomia tão grande, na Suíça e — desconfio — em mais nenhuma seleção. Vai da sua área à linha de golo. E apenas precisa de inspirar uma vez. Parece.
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