Mundial
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O genótipo alemão perdido
Nem sempre foram altos, fortes e louros, mas não desistiam e moviam montanhas graças a uma fé sem limites em si próprios. A mesma que reergueu por duas vezes o país dos escombros. A técnica resumia-se à receção, ao controlo e ao remate. O drible só surgia em velocidade. Qualquer toque em excesso fora banido do seu genótipo. Eram racionais e objetivos, muitas vezes implacáveis, não ofereciam tréguas em nenhuma circunstância. Foi essa a mentalidade que os levou a três títulos mundiais, já que o quarto teve influência tremenda daquilo que até aí tinha sido o seu contrário: o drible e o tecido que saía de um tear de passes atrás de passes.
Em 2000, quando a Mannschaft foi destroçada por um Portugal B no Euro, a Alemanha entrou em modo revolução. Olhou para dentro, sentiu que tinha batido no fundo e escolheu um novo fussballspieler. Mergulhou ainda no scouting e na formação de jogadores e treinadores. O alemão mais técnico, de ascendência hispânica, nasceu. Treze anos depois, Guardiola, a partir da Säbener Strasse, deu-lhes sentido. E a Alemanha, aproveitando também a mudança de ciclo em Espanha, ganharia no Brasil o tetra.
No entanto, entre 2000 e 2013, um outro raio caía no mesmo sítio. Wolfgang Frank, Rangnick e a Escola de Estugarda, primeiro, depois Klopp e outros, riscavam o líbero, adiantavam a defesa para comprimir o campo com a armadilha do fora do jogo e mudavam para marcação zonal e pressão feroz. A vertigem e a fisicalidade tomaram conta dos clubes, enquanto a seleção desesperava pela pausa e a técnica. O genótipo do alto, forte e louro caiu e, com este, também o ponta de lança demolidor. Já não há Hrubesch ou Seeler. Klose ou Gomez. Duas revoluções não fizeram uma. Poderiam criar nova tese, com uma ideia a complementar outra. E não foram além da cópia, sempre pior do que o original.
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