Mundial
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A traição de Thomas Tuchel
Argentina e Espanha não encontraram data para a Finalíssima e quis o destino que se enfrentem na final do Mundial. O tira-teimas entre o campeão da Europa e o bicampeão da Copa América entregará o título planetário à melhor das duas melhores equipas do torneio e, ganhe ou não, o ceptro definitivo a Messi, o último filho dos deuses, na última dança enquanto carne e osso.
Acredito que, em 1986, as Malvinas tenham passado pouco pela cabeça de Maradó, Valdano, Burruchaga e companhia, quando bateram a Inglaterra no Azteca. Mesmo que o 'Pelusa' tenha dito sobre a Mão de Deus que roubar a um inglês era ainda mais especial, ele e os colegas também confessaram ter atribuído peso relativo ao conflito. Também ontem, com mais quatro décadas em cima, apesar da eterna reivindicação territorial sul-americana, pouco terá contado. Mesmo com a faixa levantada no final. Se a viram antes, afinaram então o grito de guerra, porém serviu sobretudo para pisar ainda mais o velho inimigo já prostrado.
Houve rivalidade, agressividade de faca nos dentes e toda a emoção que os argentinos colocam em cada duelo — tremendas palavras e lágrimas de Lautaro Martínez, que sonhava com um golo num momento destes desde que a mãe lhe comprou as primeiras botas —, mas sobretudo uma alma que nasce da adversidade e que torna a Albiceleste avassaladora, sobretudo quando sente o cheiro do receio. E depois Messi, mais uma vez, com Scaloni a ajudar.
Talvez 'La Scaloneta' não tivesse chegado lá sem a ajuda de Tuchel e os quatro centrais, com um à direita, e a linha de cinco. Com o levantar do muro logo à frente de Pickford, ainda mais alto com Dan Burn. Nunca conheceremos essa realidade alternativa. O que não impede que as decisões do alemão pareçam uma traição à natureza da equipa e à qualidade dos seus atacantes. Messi olhou para o gigante de dois metros e encolheu os ombros. «Tomá lá, Lautaro!» E o planeta abanou com a vénia que todos lhe fizeram.
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