Mundial
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A leveza do GOAT e o peso dos nossos
Portugal entrou no Mundial com um empate diante da modesta equipa da República Democrática do Congo e enquanto tudo parece, para já, errado na equipa de Roberto Martínez, há outras seleções em velocidade de cruzeiro, sem dúvidas no seu processo e com todos a saber o que têm de fazer em qualquer contexto.
Apenas algumas horas antes de começar o célebre 'Houston, we have a problem' a ganhar contornos de piadola fácil, durante a madrugada vimos um Lionel Messi tremendamente leve, a uma semana de completar os 39 anos, a rubricar uma exibição enorme, histórica, com três golos apontados, num triunfo tranquilo diante da Argélia. Não só a Pulga (quem quiser, também pode ler GOAT, que são cada vez mais sinónimos) como todos ao seu lado se apresentam descomplexados, confiantes, solidários uns com os outros e a tomar sempre a melhor decisão para o conjunto. Messi é o primeiro de todos a fazê-lo e continua a marcar golos, muitos deles monumentais. Não precisa de se impor. É aceite. É venerado pelos colegas. Pelos treinadores. Pelo povo.
Os argentinos não se apresentam estáticos perante blocos baixos. Mexem-se a um bom ritmo, como verdadeira equipa. Ocupam os espaços. Libertam outros. Sorriem no final de cada jogada. Estão de bem com a vida. Claro que a maioria daqueles que viajam na Scaloneta já retirou de cima dos ombros o peso de terem de ser campeões do mundo. Antes, Messi sofreu. Agora, ainda parece melhor, criando esculturas de açúcar de cada vez que toca na bola.
Os portugueses ainda não se livraram desse peso. Ronaldo ainda luta contra o estigma. E Roberto Martínez, por falta de coragem ou acreditar mesmo naquilo que parece cada vez mais errado, não consegue ajudar. A Argentina encontrou o segredo no Qatar ainda a carregá-lo às costas, com um Todos por Messi e Messi por todos que transpira desde então em cada jogada.
Não sei se esta Seleção vai dar a volta a si própria e descobrir finalmente o caminho. Um que, passe a arrogância, parece estar à vista de muita gente. Seria importante que o conseguissem para que esta não seja mais uma oportunidade perdida. Para muitos desta geração. É um Mundial, meus caros!
Cristiano Ronaldo parece estar a ser esmagado pela gravidade. Há muito que a braçadeira não se coaduna com as atitudes, desculpáveis ou não pela azia. Neste momento, ele próprio é um problema. E é imposto a um modelo que o rejeita.