Yamal marca o primeiro golo no Campeonato do Mundo - Foto: IMAGO

O muito que é mais para os de sempre

'The Big Picture - o Mundial que não se vê' é o espaço de crónica diário durante o Campeonato do Mundo de Luís Mateus, editor-executivo de A BOLA

O paralelismo talvez seja o único, mas tal como o Brasil aproveitou o Haiti para recuperar o moral também a Espanha teve uma segunda ronda 'amiga', diante da Arábia Saudita, para recuperar da má estreia diante de Cabo Verde. Ainda que Don Carletto tenha obviamente ajudado o seu ataque com a mudança de Igor Thiago por Matheus Cunha, os caribenhos não disfarçaram a ideia prévia de, mesmo depois dos reforços de última hora, serem uma das mais fracas seleções que alguma vez pisou o palco de um Campeonato do Mundo.

Não será pela goleada e pela 'chegada' de Lamine Yamal ao torneio das Américas com o primeiro golo que a 'Roja' recuperou o estatuto de favorita. Já o era e foi-lhe fácil voltar ao caminho.

A tese foi contrariada por uma Bélgica a gastar o último combustível da sua Geração de Ouro, não ultrapassando um Irão hostilizado num torneio que devia ser um exemplo de hospitalidade para quem, no relvado, conquistou direito a estar presente. Terá a última oportunidade diante da Nova Zelândia. E Portugal tem o Uzbequistão.

É o que também vale ter 48 seleções num Mundial que deixou de ser palco dos deuses e quer juntá-los a mortais que tenham nascido com um ou outro dom que os torne elegíveis. Mais equipas, mais adeptos, mais dinheiro. As surpresas na primeira fase são eliminadas, logo melhores equipas nos jogos mais importantes, logo mais interesse e dinheiro.

A democratização do Mundial é na realidade, face aos rankings, apenas (para alguns) a garantia do visto e de uma experiência de vida. Para uns, uma melhor do que para outros. Que Cabo Verde aproveite! O mesmo se pode dizer das longas pausas para hidratação, muitas vezes desnecessárias, pensadas para os patrocínios e não para os atletas, ao jeito do público norte-americano, como acontece na NBA.

El Loco Bielsa, pensador do jogo e selecionador do Uruguai, resumiu a questão de forma perfeita: «Jogar quatro períodos em vez de dois altera a conceção cultural do futebol e como o interpretamos.» Touché!

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