Mundial
Mundial
O Brasil que deve olhar para baixo
Haverá tempo para falar de Portugal, deixem pensar no Brasil. França, Holanda (duas vezes), Alemanha, Bélgica, Croácia e Noruega foram os carrascos do 'Escrete' nos últimos Mundiais. Curiosamente, em 2002, para a conquista do 'penta' e depois de vencer a Turquia no Grupo, só eliminou europeus: Bélgica, Inglaterra, Turquia (de novo, agora nas 'meias') e, por fim, a Alemanha. Só que nesse dia, em Yokohama, ainda que no banco se contasse com o forte apoio da Nossa Senhora do Caravaggio a um coronel disciplinador de egos, havia em campo pelo menos cinco jogadores de classe mundial: Cafú, Roberto Carlos, Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo Fenômeno, com Denilson no banco para acrescentar ginga, se necessário, contra blocos baixos. Hoje, se seria difícil ter melhor, como selecionador para resultados imediatos, do que Ancelotti — que teve impacto até num ou noutro momento estratégico — a massa crítica é tremendamente inferior.
Porquê? A violência, a especulação imobiliária e os smartphones tiraram as crianças das ruas e o futebol mudou-se das irregularidades dos lancis para relvados sem arestas por limar e ressaltos esquisitos das academias. O país exporta, depois, com algumas exceções e demasiado cedo, antes de ajudarem a construir (e se deixarem também construir) a identidade canarinha, quase só médios de trabalho e extremos rápidos: Vinícius Júnior, Raphinha, Rodrygo, Martinelli, por exemplo. Já não coloca no estrangeiro Zicos, Rivelinos, Sócrates, Falcões, quanto mais Ronaldinhos e Kakás, também porque na formação a visão é europeia, dá-se prioridade a miúdos fortes, altos e taticamente domáveis. O pós-Tite, com interinos como Ramon Menezes e Fernando Diniz, o caos diretivo e a eterna espera por Ancelotti, que sozinho não chega, impediram o Brasil de chegar à solução: um plano a longo prazo, a partir da base. O futuro começa agora.
Artigos Relacionados: