Os 'Bleus' caíram na poção do druida
Quem pára esta França? Ainda que já há meses o suspeitássemos, essa é a primeira pergunta que este Mundial nos deixa, depois do atropelamento da Suécia de Graham Potter. Assente numa exibição monumental de Michael Olise — a melhor até agora no Campeonato do Mundo das Américas — e com um frenético Mbappé a dizer 'esfola' ao mesmo tempo que o colega grita 'mata', os 'Bleus' falharam demais. Foram oportunidades atrás de oportunidades antes e depois do avançado do Real Madrid ter deixado um desta vez enfeitiçado Gyokeres sentado no relvado.
Houve grandes defesas, bolas nos ferros, alívios no último momento, uma ou outra finalização menos clínica, mas sobretudo uma tremenda manifestação de força por parte do conjunto de Deschamps diante de uma equipa organizada, a quem desde o primeiro minuto começou a faltar gente por todo o lado, tal a forma como os gauleses, talvez embriagados depois de caírem no caldeirão da reconstituída poção mágica de Panoramix, faziam voar normandos pelo ar como papel.
Portugal ou Espanha podem cruzar-se com os franceses nas meias-finais e ambos andam bastante longe de tamanho poder de destruição. E, mesmo entre os dois rivais ibéricos, a Seleção de Roberto Martínez é aquela que parece menos coletiva, mais desorganizada no momento da transição defensiva, sobretudo pelo corredor interior. Talvez seja pensar demasiado à frente, mas o selecionador continua a perder tempo quando deveria estar a montar desde o primeiro treino a melhor equipa possível. A mais coletiva, a que funcione em bloco, com todos a saber o que fazer e ajudar o próximo quando este não o consegue.