Mundial
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O bielsismo nunca morrerá
Quando se falha, falha-se quase sempre sozinho. Ainda mais no futebol. Ainda mais quando se trata de alguém tão intocável nas ideias, de fora para dentro, como Marcelo Bielsa. Já morreu várias vezes no jogo, mas sempre a fazer o que acha e a dizer o que pensa. Sem concessões.
No entanto, El Loco, desta vez, estava destinado a falhar. Nunca teve consigo os jogadores. E pregava há séculos no deserto. Ou nas dunas de Cabo Polonio, à falta de melhor cenário. A qualificação, a preparação e os primeiros jogos confirmaram o mau momento e, antes da Espanha, veio a público o motim ideológico, com os atletas a pedirem para que voltasse atrás, ao pontapé para a frente, à correria e ao choque a que estavam acostumados. Questionar Bielsa não fazia sentido, é impossível haver agora mesmo nas Américas alguém tão idealista. E o técnico sentiu a facada e mostrou as cicatrizes. Já não era a primeira que levava e pela mesma gente. «Já se tinham tentado livrar de mim antes», acusou.
Vi muitas críticas. É o alvo fácil, mesmo a milhares de quilómetros. Li que já não é tão influente, que já não é um génio, que as ideias já não funcionam. Inclusive, acusam-no de desrespeitar os jogadores e de nunca olhar ninguém nos olhos. Nunca olhou, mesmo quando o consideravam genial e bebiam das suas ideias para criar os respetivos modelos.
É mais fácil atirar pedras a Bielsa, que não é perfeito, obviamente, do que olhar para o pouco talentoso grupo de trabalho uruguaio, ainda que o selecionador tenha afastado uns quantos por sua iniciativa, ou para o rico registo disciplinar de algumas das figuras no último ano. Até mesmo para o rendimento de outros, em posições cruciais, como a de ponta de lança. El Loco chegou uns anos mais tarde do que devia. A geração de Cavani e Suárez jogava bem mais à bola e eles eram os líderes que agora escasseiam. Faltou-lhe apoio para a revolução.
Descansem, Bielsa não irá para casa tão cedo. Continuará em Scaloni, Pochettino e Beccacece, que até o tem tatuado nas costas. O bielsismo tem muitas vidas.
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