Mikel Merino celebra golo à Bélgica - Foto: IMAGO

A 'Roja' já não passa sem Merino

'The Big Picture - o Mundial que não se vê' é o espaço de crónica diário durante o Campeonato do Mundo de Luís Mateus, editor-executivo de A BOLA

Quando Olmo não chega, Lamine e Nico ainda se procuram encontrar depois das lesões e Pedri parece carregar o fardo de uma época longa e desgastante, estão lá De La Fuente e Merino para criar impacto com a substituição decisiva.

Mikel faz-me lembrar os primeiros tempos de Championship Manager, em que descobríamos que em Inglaterra havia muitos jogadores que podiam ser centrais ou pontas de lança, e com bom rendimento nos dois papéis. Ambos eram fisicamente poderosos. Os defesas monolíticos que se transformavam em avançados conheciam na perfeição as manhas de quem os defendia e só precisavam de acertar no momento certo na baliza correta. E podiam subir e baixar no relvado, entre uma posição e outra, consoante a necessidade, sem qualquer problema. Sem necessidade de substituição. Importante, quando só havia duas. Já sabiam ao que iam.

Mikel Merino não fez carreira estrondosa, aliás, está precisamente a viver os seus melhores momentos. Formou-se no Osasuna e jogou pela primeira equipa, porém não se conseguiu impor primeiro no Dortmund e depois no Newcastle. San Sebastián foi porto de abrigo e aí sim, pelos 'txuri-urdin' da Real Sociedad finalmente estabilizou. Arteta viu nele reforço e levou-o para Londres, transformando-se neste jogador híbrido, que tanto se impõe no meio-campo como aparece do nada para atirar a baliza e, muitas vezes, decidir partidas apertadas. E não se importa. Mesmo que jogue menos do que os outros, aproveita bem melhor o tempo. Neste Mundial, De La Fuente, esperto, não o quis moldar. Coloca-o em campo precisamente para ser o mesmo jogador que entra sobretudo durante as segundas partes pelo Arsenal. É um homem com uma missão.

Os portugueses deviam conhecê-lo. Deram-lhe o espaço que nunca poderia ter. Já os belgas, a viver a última oportunidade da sua melhor geração, capitularam de forma ainda mais dramática. Courtois abriu a porta ao 1-0, marcado por Fabián Ruiz. Depois, lesionou-se e Lammens ainda fez pior. E estava lá... Merino!

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