Mundial
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Quando o futebol tem a sua lógica
Alemanha, Brasil, Uruguai e Portugal são, de forma quase consensual, as grandes desilusões deste Campeonato do Mundo. Parece fácil dizê-lo agora, porém, embora as expetativas estivessem altas, as quatro equipas apresentavam problemas sérios na sua constituição. Na raiz do problema, há uma crise de identidade no futebol teutónico, que atinge a própria matriz genética do jogador, a par de uma fratura geracional, no setor defensivo. A isto, Julian Nagelsmann somou decisões que comprometeram a sua própria liderança, com promessas não cumpridas e a gestão do caso Neuer, por exemplo.
O Brasil teve de incorporar Neymar para aumentar o coeficiente de génio de um Escrete, que não teve um Vinícius Júnior líder que o carregasse até fases adiantadas no torneio. Houve truques, fintas, grandes passes e alguns golos, mas de tamanho desequilibrador espera-se sempre mais. E esse passo de conseguir reunir todos à sua volta, através do foco total no objetivo, ainda não foi dado. Entretanto, Neymar foi um acessório de luxo e pouco mais. «Finished», como quis sentenciar Jorge Jesus. Curiosamente, dos quatro casos, só Ancelotti mantém a fé dos dirigentes.
Já Marcelo Bielsa tentou fazer evoluir o conjunto uruguaio dos duelos individuais e futebol direto para um jogo de posse, mais sustentado. 'El Loco' perdeu-se no excesso de informação, nas escolhas que fez — o acorrentar de Valverde a um flanco, por exemplo — e até na mensagem, e nunca teve a garra charrúa do seu lado nas Américas.
Portugal nunca foi favorito nem sequer candidato, perdido em equívocos e no 'status quo'. O futebol foi pobre e medroso, e nunca houve uma verdadeira equipa que expressasse tanto talento incorporado.
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