Luis de la Fuente, selecionador de Espanha, em conferência de imprensa antes da final
Luis de la Fuente, selecionador de Espanha, em conferência de imprensa antes da final

A melhor final para um Mundial insosso

Foram 39 dias, e os primeiros 18 só serviram para eliminar Uruguai e Coreia do Sul... Espanha e Argentina entraram como as melhores seleções e, sem surpresas, saem a discutir o título

38 dias longos depois do arranque da prova, chega hoje ao fim o Mundial 2026 com a final Espanha-Argentina, que pouco ou nada tem de inesperado — no início da competição, eram as duas primeiras seleções do ranking da FIFA e, se vencessem os seus grupos, como aconteceu, sabiam que só poderiam encontrar-se na final. Só a França, finalista vencida em 2022, se aproximava, em pontuação e em força da candidatura, atendendo à qualidade dos seus jogadores.

E esse foi precisamente o principal problema, dando-nos um Mundial insosso, pouco emocionante. As melhores seleções, com mais ou menos dificuldade, foram ganhando os seus jogos. Pela primeira vez na História, as quatro primeiras equipas do ranking da FIFA chegaram às meias-finais.

E aquela fase de grupos, a apurar 32 de 48 seleções, com muitas equipas (como Portugal) a garantirem o apuramento logo à segunda jornada mas sem terem vencido os dois jogos, quase só serviu para definir quem jogava contra quem quando começasse o verdadeiro Mundial (como Portugal deveria ter percebido, de forma a poder defrontar a Suíça em vez da Espanha nos oitavos...). Ah, e para Gianni Infantino garantir a reeleição como presidente da FIFA, por ter aberto a porta da fase final a seleções que de outra forma nunca poderiam sonhar estar lá... Das 16 seleções eliminadas, só Uruguai e Coreia do Sul caíram com alguma surpresa.

Houve campanhas entusiasmantes, claro. A de Cabo Verde acima de todas as outras — o campeão mundial moral, a única seleção que defrontou os dois finalistas de hoje e não perdeu com nenhum deles nos 90 minutos (0-0 com a Espanha e, nos 16 avos, 2-3 com a Argentina mas no prolongamento, e por causa dum autogolo) —, mas também as de Noruega e Marrocos.

Mas o Espanha-Argentina é mesmo a final ideal para este Mundial sem sal: o duelo entre a maior estrela do futebol, Messi, tão insosso fora de campo como picante dentro dele, e Lamine Yamal, quase seguramente o seu sucessor; o duelo entre a melhor defesa do Mundo, a da Espanha, e a maior alma do Mundo, a da Argentina.

Mas vendo como os sul-americanos sofreram golos de Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra na fase a eliminar, não percebo como podem aguentar o melhor ataque que já defrontaram; e mesmo com o génio de Messi e o coração de todos, custa-me a crer que encontrem espaço para marcarem pelo menos tantos golos quanto os que sofrerem...

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