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Os senhores do tempo e uma Alemanha congelada em 2014
O tempo abranda assim que James entra em ação. Do primeiro ao último toque, o da decisão, tudo se passa em câmara lenta, permitindo-lhe medir todas as opções. É o dom dos génios. Vencem a batalha do tempo, ainda que percam, como os outros, a guerra dos anos.
O maestro colombiano, agora com 34, andou pela direita, pela esquerda, pelo meio e disparou 26 passes progressivos, quebrando linhas nos meio-campos rivais, na fase de grupos. Dois foram punhais cravados no flanco dos opositores, ao resultarem em remates à baliza. Fica o rasto feito de espuma desse futebol 'cafetero', que tantas vezes nos encantou. A Colômbia foi tão melhor que Portugal que terá deixado a Argentina, com a qual se pode cruzar nos quartos de final, de pé atrás. O fantasma do 0-5 de 1993, que elevou as expetativas até ao assassinato de Escobar, ganha corpo.
Já Ancelotti voltou a fazer das suas. Não sei se este Brasil dará para o hexa, mas certamente tem no banco o melhor treinador da sua história. E que, ao serem expostas as fragilidades do Escrete, voltou a mostrar que é muito mais do que o gestor de egos que creem que seja. Kaishu Sano inspirou-se em Tsubasa e Alisson viu um tornado na sua direção, porém 'Don Carletto' lá mexeu as suas peças e ainda não foi desta que os Oliver e Benji do futuro ganharam. Ancelotti imobilizou os ponteiros do relógio.
E o Paraguai? Para muitos, é o de Chilavert, de Roque Santa Cruz, Gamarra ou de Almirón e Enciso. A mim lembra-me sempre o talentoso Romerito. Médio ofensivo, passou por Flu e Barça, ainda que as suas melhores imagens me cheguem com a albirroja no pêlo. E nem com ele se imaginaria que os guaraní pudessem bater uma Alemanha congelada em 2014. Auf Wiedersehen!
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