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Os Estados Unidos... que não são de Trump
Pulisic. Balogun. Reyna. São nomes bem americanos, não são? A goleada dos Estados Unidos ao Paraguai (4-1) expôs muito mais do que uma qualidade futebolística da equipa das Stars and Stripes, que se tem refinado com os anos e hoje tem como mestre Mauricio Pochettino. Os golos assinados por Folarin Balogun, que bisou, e por Giovanni Reyna, que faturou após assistência primorosa do Capitão América Christian Pulisic, trouxeram à tona toda a riqueza multicultural de uma equipa, que acaba por refletir a realidade de um país negada por quem o dirige: um tal Donald Trump.
Enquanto Washington aperta o controlo de fronteiras e endurece o discurso, no relvado celebra-se desde o primeiro jogo a riqueza da diversidade cultural.
Os três futebolistas contam histórias profundas de migração. Giovanni Reyna nasceu em Inglaterra, mas as raízes estendem-se pela América do Sul e pela Europa. O avô paterno emigrou da Argentina e a avó, Maria Silva, tem ascendência portuguesa.
Já Folarin Balogun nasceu em Brooklyn por acaso, quando a mãe nigeriana visitava Nova Iorque. Problemas burocráticos no momento de deixar o país fizeram com que a estadia se prolongasse mais do que o esperado e o parto se desse a muitos quilómetros de casa. O avançado cresceu depois em Londres, formou-se no Arsenal e optou pela camisola norte-americana.
Por fim, Pulisic nasceu na Pensilvânia, mas o passaporte croata do avô abriu-lhe as portas da Europa, mais concretamente as do Borussia Dortmund, na Alemanha.
Há ainda Tillman, Sergiño, Weah, Pepi e muitos mais. O talento não tem fronteiras e os filhos da imigração já carregam o orgulho dos Estados Unidos.