Mundial
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Há aí algum abraço para Sorloth?
O futebol é feito de ‘ses’, mas nenhum deles fica para a história, por maior que seja. Não há realidades alternativas, apenas uma, ainda que possa ser formada por várias versões. No intervalo de todas elas, estão os factos, o que deve continuar a ser contado de geração a geração, ainda que com liberdade criativa. Porque é nessa dimensão que habitam os heróis e nós, sem eles, demoramos mais tempo a conseguir ser melhores humanos.
No Noruega-Inglaterra, mais do que o bis de Bellingham ou o erro de Nyland, expiado com quem mais interessa, mulher e filhos, naquele abraço coletivo em que cada um segurava o próximo para que não caísse ao abismo, o que permanece é a encruzilhada em que Sorloth se despistou. Porque aquele «o que seria se tivesse passado a Haaland, e este feito o 2-0?» ecoou depois a cada rugido dos Três Leões até ao final.
E nós até os protegemos. Se fosse um médio, nada seria mais imperdoável, mas um avançado, que se alimenta dos golos que marca, já tem direito a uma dose considerável de egoísmo. É verdade que a decisão pode ser trabalhada, mas quem decide é quem tem a oportunidade. Um treinador pode escolher o jogador que decide sempre bem e, ainda assim, num jogo, este pode errar.
Sorloth engasgou-se nessa fome num 1x1 forçado, em que O’Reilly só teve de apostar no mais provável. Fechou-lhe o melhor pé e a jogada perdeu-se.
Há quem culpe os dois pontas de lanças em simultâneo. A tal teoria do egocentrismo. Em superioridade, no 2 para 1, Sorloth apostou em si. Ainda não tinha marcado no Mundial, não conseguia lidar com mais dias de ressaca. Todavia, pode não ter sido só isso. Será que o gigante não congelou e se embrulhou na solenidade do momento?
Onde ao lixo da humanidade é permitido sê-lo sem restrições, sucederam-se ameaças e insultos. Ninguém lhe ofereceu um abraço que o sustente sobre o próprio abismo. Sorloth pareceu demasiado egoísta para tê-lo realmente sido.
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