Messi e Maradó! A minha heresia é já adorar dois deuses
A final está quase aí e cresce a discussão. O título acabará com as dúvidas? Há tantas perguntas para as quais não conhecemos resposta e esta pode perfeitamente ser mais uma. Diego não precisou mais do que de 1986 para ser o melhor de sempre e Léo não tem de ganhar amanhã para se afirmar em definitivo como o maior da história. O que resolve o problema de consciência de todo o crente da Igreja Maradoniana. Como eu. E evita comparações injustas.
Messi não teve de lidar com a 'fúria espanhola'. Maradona, sim. Cada relvado desaparecia debaixo da mesa ensanguentada do 'carniceiro' Goikoetxea e ainda teve de escapar da vingança de ‘Gaddafi’, general e carrasco da Juventus e da 'Azzurra', protegido pelo apelido. Gentile era só mesmo para os amigos. Poucos! Hoje, pedem-se expulsões por pisões e pitons cravados no Aquiles, mas na altura não havia esquisitices e uma carreira terminada antes do tempo era apenas dano colateral. Além de que Diego era tão imperfeito quanto especial. Apoiava Fidel, vestia um Che estampado, lutava contra o sistema e, sim, sucumbia à pressão e caía na tentação. E, apesar disso, porque nada disso o protegia, era mágico. Como ele mesmo dizia, ‘la pelota no se mancha’.
Hoje, a 'fúria espanhola' já não existe. Messi, que sempre foi protegido dos carniceiros, já não tem pela frente a Espanha de 'Goiko' ou de Picasso, mas a de Rodri, Olmo, Ruiz, Pedri, Oyarzabal e Gaudí. E ainda bem. Maradona nem por isso. Ficou com o tornozelo com o dobro do tamanho depois de marcar o Golo do Século e eliminou o Brasil quatro anos depois com um joelho desfeito, ao dar o golo a Caniggia.
Estou em paz e saciado. Continuo sem ter visto alguém com o talento de D10S e, a cada drible e genialidade, Léo recupera-o também para a espuma dos dias. «Ho visto Maradona», cantou-se há dias em Nápoles e não foi coincidência. Sei que enquanto a 'Pulga' jogar, o 'Pelusa' estará vivo. E também que Messi, a cópia que mais se aproximou do original, talvez uma versão sua 'mainstream', o ultrapassou largamente. Tornou-se maior, durou infinitamente mais tempo, conquistou mais troféus. Esqueçam! A minha Igreja pode dar-se ao luxo de adorar dois deuses.