Mundial
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A fé que obriga a um Messias
Quando estiver a ler este texto, provavelmente o Brasil já deu a volta esperada ao Haiti e passou do oito ao oitenta que é ir do baixo astral à fé sem qualquer reserva no hexa. Ou então, ainda que tremendamente improvável, estará a menos 8 ou menos 80 na escala Macaranazo (ou Mineirazo, para os mais novos). Mas não há como não arriscar no triunfo canarinho. É praticamente impossível que isso não aconteça, por muito que nos lembrem que no futebol não há isso: tudo se pode mesmo passar dentro das quatro linhas.
Todavia, este Escrete, sem a magia de tempos de enorme riqueza no garimpo, que lhe trouxe craques como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho e Romário — num primeiro nível pós-Pelé, Didi e Garrincha — ou mesmo Djalminha, Rivaldo, Bebeto, Adriano, Zico, Sócrates, Cafu, Roberto Carlos, Daniel Alves e Kaká — num segundo —, não está também assim tão mal. Mesmo que o esteja o suficiente para que se suspire por Neymar como um Messias, se é que me faço entender.
Ney, ainda que não este, sobretudo o do tempo do Barcelona, é desse primeiro nível. É daqueles que nasceram e alimentaram um talento de imortal. Só que não resistiu às tentações mundanas e não conseguiu, também por ter nascido na era de outros, um trono e um ceptro só para si.
O mais próximo de um semelhante que o 10 terá à sua volta é um tal de Vinicius Júnior, que tanto os companheiros procuraram quando se afundavam diante de Marrocos. Ainda respondeu com um lance de génio que acalmou os africanos, mas não é nem nunca será um líder, com coisas a mais na cabeça de cada vez que toca a bola para a frente. Vinícius e Raphinha precisam deste Neymar preso por arames e menos ágil. Mesmo que, por enquanto, tenham ainda de viver sem ele. Neste Mundial das confirmações, enquanto o Brasil suspira pelo passado, há outros que têm fé no futuro. Depois de Bouaddi e Diomande, Manzambi foi o segredo para a primeira vitória suíça. Sim, o do Friburgo, que marcou ao SC Braga. Só tem 20 anos e é craque puro.