Schjelderup festeja golo a Inglaterra - Foto: IMAGO

A Andreas o que é de Andreas!

'The Big Picture - o Mundial que não se vê' é o espaço de crónica diário durante o Campeonato do Mundo de Luís Mateus, editor-executivo de A BOLA

O desnorte de um clube e também de um treinador vê-se quando um jogador com o rótulo de dispensado, que ninguém se dera ao trabalho de compreender antes, apesar do investimento e de um ou outro fogacho, passa a figura, talvez até a melhor jogador de uma equipa. Dá-se um clique e tudo muda? Claro que há sempre quem atire: «Não, mérito do treinador!» Todavia, se nada mudou no comportamento do atleta, que, por muito que o homem do leme acene agora a gosto a cabeça, a participação do momento defensivo é semelhante e os movimentos ofensivos praticamente os mesmos, onde é que esse mérito está?

Schjelderup esteve transferido para o Club Brugge até fazer desabar a defesa do Real Madrid como um baralho de cartas e já não seguiu viagem.

O clique deu-se sim em quem não lhe garantia a continuidade. Porque ao futebolista só o moral que acrescentou foi suficiente para voltar a acreditar. Que já não era só eficaz nos juvenis e nos juniores quando defrontava miúdos da mesma idade, já conseguia vulgarizar adultos e alguns dos melhores. Às vezes, não é preciso mais. Basta reconhecer-se talento e ter paciência, sem preconceitos.

Solbakken partiu para o Mundial com outras preferências, mas quando Andreas serviu duas vezes Haaland na demolição do Brasil também se rendeu às evidências. Schjelderup, também ele a encarnar o espírito viking, não se fez rogado. Assinou um dos golaços do torneio, que o coloca ainda mais em alta.

Depois de o crescimento no Benfica não ter sido cultivado, de ele próprio sentir que a afirmação foi consequência de um acidente, em que praticamente ninguém acreditava, a dívida de gratidão nunca poderia ser tão grande assim. E quando se começa a ouvir falar com frequência de Barcelona e outros ainda diminui mais.

Schjelderup sai em grande do Mundial e não tem razões para renovar. Ou o negoceiam ou absorvem os próximos dois anos até ao fim. Assim, talvez aprendam de vez a lição. Só vale a pena apostar se houver paciência para se tirarem dividendos.

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