Pierluigi Collina é o chefe do Comité de Arbitragem da FIFA
Pierluigi Collina é o chefe do Comité de Arbitragem da FIFA

Collina e o golo anulado à Croácia contra Portugal: «Foi claro...»

Presidente da Comissão de Arbitragem da FIFA aborda a polémica e desfaz as dúvidas: «Sistema não deteta o contacto com o cabelo»

Pierluigi Collina, presidente da Comissão de Arbitragem da FIFA, comentou a polémica em torno do golo anulado à Croácia nos últimos instantes frente a Portugal, no duelo dos 16 avos de final do Mundial 2026, reforçando a ideia de que o sistema «não deteta o contacto com o cabelo» e garantindo que a decisão de invalidar o tento de Josko Gvardiol, por posição irregular de Mario Pasalic após um toque subtil de Igor Matanovic, foi a correta.

«O gráfico foi claro. Há um pico quando toca na cabeça do avançado croata, depois uma linha plana, e outro pico quando toca nas costas do defesa de Portugal. Como o sistema não deteta o contacto com o cabelo, o pico é determinado pelo contacto com a cabeça», referiu o antigo juiz italiano, em entrevista ao jornal La Gazzetta dello Sport, sendo que abordou ainda as novidades implementadas na prova e outras controvérsias.

Collina defende as inovações tecnológicas no futebol, afirmando que estas não diminuem a emoção do jogo e que a introdução da regra dos oito segundos para a reposição da bola em jogo tornou as partidas mais fluidas. «Em certos campeonatos, seguravam a bola por mais de vinte segundos, uma eternidade. Os árbitros não apitavam porque a 'pena', um pontapé livre indireto na área, era desproporcional em relação ao 'crime'», explicou.

O ex-árbitro rejeita a ideia de que a tecnologia elimina a emoção. «É um falso mito. No fora de jogo, há alguns segundos de espera pela confirmação, mas o jogador festeja quando marca. E se o golo é validado, há um segundo festejo; se é anulado, festeja a equipa adversária. Acho muito mais justo que a emoção se baseie numa decisão correta, em vez de num episódio que será discutido durante semanas ou décadas. Ainda hoje, sessenta anos depois, continua-se a perguntar se, no golo da Inglaterra na final de 1966 [frente à Alemanha Ocidental], a bola realmente ultrapassou a linha», sublinhou.

Collina abordou também o lance no Noruega-Inglaterra em que os nórdicos alegam que a bola teria tocado num cabo da spider-cam. «É incrível que não se consiga convencer as pessoas de que a bola não tocou em nenhum cabo. Foi mostrado um gráfico em que, quando a bola é tocada por um jogador ou um objeto, se vê um pico. Nesse caso, viu-se um gráfico plano desde o momento em que o guarda-redes pontapeou a bola até ao controlo do outro jogador. Houve apenas uma ligeira onda, relacionada com o ar», frisou.

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