Mundial
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A aranha em fuga do labirinto
Julián Álvarez parece em fuga constante, uma em que é, ao mesmo tempo, Minotauro e presa, aranha morta e viva que também podia ser de Schrödinger, presa no mesmo labirinto, como se fosse a tal caixa fechada.
Escapou uma vez. Então Pep, que o tinha seduzido, com futebol e resultados, a seguir tão jovem para Inglaterra, disfarçou-se de Ariadne, sensibilizado pela frustração, e ajudou-o a sair das encruzilhadas do Etihad.
Mais do que ganhar dinheiro, troféus e títulos, que virão por acréscimo, queria expressar-se. E conseguiu-o em Madrid. Se Guardiola tinha colocado o poder de destruição de um viking à sua frente, General 'Cholo', seu compatriota, colocara-o à frente do batalhão. Só que se jogar antes era tudo, passou a não bastar. A forma tornou-se importante, a prata e o estar em finais, fundamental. Só aí se apercebeu onde tinha entrado, como tantos outros antes, para ficar novamente retido, sem saber por onde ir, no meio daquelas paredes brancas e vermelhas, sempre iguais e monótonas. E de Ariadne, por quem suspirava todos os dias, nenhum sinal.
Há sempre, contudo, uma forma de escapar. Através da mente. O sonho de conquistar mais um Mundial, outro para Léo, para Diego, para a Argentina. E a aranha teceu o fio para se encontrar a si própria. É verdade que foi preciso esperar pelos 'quartos' para a termos a corpo inteiro, novamente mortífera, mas valeu a pena. Aquele tiro derrubou o Minotauro e a aranha deste lado da caixa está bem viva.
Julián sabe que ainda terá de encontrar a saída do labirinto. Mas há um momento único para saborear por inteiro. E um bebé na bancada para ainda adormecer.