Mundial
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O milagre por fazer depois do já feito
Por causa de Rangnick, lembrei-me de Bielsa. De Maslov. De Wolfgang Frank. De Rappan. De Jimmy Hogan. Não Hagan, Hogan! Todos eles estão nas melhores equipas da história mesmo que não tenham ganho assim tanto com as suas.
O alemão acabou com o líbero na terra do líbero, avançou para a marcação à zona, para a linha defensiva subida e para a pressão feroz. O melhor que ganhou no país em que nasceu foi a Taça e a Taça da Liga, contudo, o seu futebol espalhou-se como um vírus e abraçou também a Áustria. O vírus e ele, agora, depois de ter sido considerado alguém banal em Old Trafford.
Maslov viveu em Lobanovskiy, Frank em Klopp e no 'gegenpressing' e Rappan em Helenio Herrera. Sem Hogan não teria havido a Wunderteam austríaca de Sindelar ou a Aranycsapat húngara, com os míticos magiares Puskás, Czibor, Kocsis e Bozsik. Sem ele, os cafés de Budapeste e Viena não teriam discutido o futebol tão apaixonadamente ao ponto de acharem que podiam desafiar a Mother of Football.
El Loco é um dos maiores influenciadores que o jogo já teve. Há Cruijff, mas o neerlandês deixaria sempre discípulos porque ganhou. O argentino fez carreira no seu país e, apesar de ser amado por quase todos nós, ganhou muito pouco fora dele. Ele, talvez o primeiro a não escolher entre o romantismo de Menotti e o pragmatismo de Bilardo, tornando-se uma síntese dos dois, está nos modelos de Guardiola, Simeone, Pochettino, Tata Martino, Berizzo, Sampaoli, Gallardo, e mesmo Nagelsmann e Tuchel.
A garra charrúa e o bielsismo pareciam mesmo feitos um para o outro. Porque o modelo de Marcelo é feito de energia e os uruguaios fazem dela a base do seu jogo há muitos anos. No entanto, o Mundial não corre como o esperado. São dois empates, diante de Cabo Verde e Arábia Saudita, e o risco da eliminação presente no último jogo diante da Espanha. É uma Celeste Olímpica sem Suárez e Cavani, com Darwin em baixa e um ala como guia. Nem Bielsa faz milagres! Ou fará? Precisa mesmo?