Sphephelo Sithole perde a bola para o mexicano Brian Gutierrez na jogada do primeiro golo do México-África do Sul - Foto: IMAGO

A moda tem quase sempre racional

'The Big Picture - o Mundial que não se vê' é o espaço de crónica diário durante o Campeonato do Mundo de Luís Mateus, editor-executivo de A BOLA

O Mundial arrancou e da melhor maneira para aqueles que odeiam as novas modas e, de certa forma, também o futebol moderno. O México colocou-se na frente aos 9' e, assim que a bola entrou, as câmeras foram à procura de Sphephelo Sithole, que tinha cometido o grave erro que tudo precipitou.

Os adeptos do chutão, alguns deles também chutões no seu tempo, terão logo ido às redes sociais mostrar os dentes. Outra vez? — terão perguntado. Amigos, vocês chutavam porque não tiveram um treinador que achasse que poderiam evoluir, estes tiveram, só que, como todos, cometem erros. É tão simples quanto isso.

E o erro nasce da estratégia e não da moda. Hugo Broos, treinador belga da África do Sul, quis dividir os aztecas, criar espaço entre linhas e, sobretudo, projetar os alas. Mas não se joga sozinho e o velho lobo Javier Aguirre terá estudado bem o adversário, apresentando um 4x4x2 no momento sem bola que bloqueava esse atrair para ferir e gerava também um redemoinho pressionante perto da área.

É aí que surge o médio Sithole, de costas para a pressão, sem espreitar o ângulo morto antes de receber. Gatilho para o rival assim que se mostrou ao seu guarda-redes, tornou-se depois presa fácil pelo primeiro toque, realmente deficiente. Daí até ao golo de Julián Quiñones foi tudo demasiado rápido.

A estratégia só se tornou inadequada a partir do momento em que houve contra-estratégia. E a esta os sul-africanos não reagiram. Ronwen Williams estava de frente e podia ter diminuído o risco com um destinatário mais projetado. Ou então chutado para a frente, que, na prática, era também reconhecer que essa batalha estava ganha pelos mexicanos.

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