Brian Brobbey marca o primeiro golo dos Países Baixos à Suécia (5-1) no Campeonato do Mundo - Foto: IMAGO

A (laranja) mecânica que podia ensinar umas coisas a Portugal

'The Big Picture - o Mundial que não se vê' é o espaço de crónica diário durante o Campeonato do Mundo de Luís Mateus, editor-executivo de A BOLA

Aqui há umas semanas, um supercomputador — um qualquer, já não me lembro qual nem onde — avançava, divulgaram os media, que a final seria entre Países Baixos e Portugal. Sem certezas, tenho na memória que a Laranja vencia. Lembro-me sim que pensei qualquer coisa do tipo 'já não basta fazerem-se passar por nós que agora já acham que sabem mais de futebol.'

Desconheço o racional, que teve certamente a ver com o valor dos jogadores, a sua experiência, as ligas em que jogam e até o passado mais ou menos recente, e os resultados que cada país tem conseguido, no entanto, tenho dúvidas de que o coeficiente teimosia de treinador tenha feito parte dos parâmetros. Mas, pelo menos, é um computador e não um polvo.

Neste momento, ainda que nos falte ver como se comportam os portugueses no segundo encontro, as duas seleções não podiam estar mais afastadas. O que não quer dizer que os neerlandeses ganhassem de caras se defrontassem os portugueses, isso é outra questão.

Ronald Koeman é um bom estratega — viu-se isso quando passou por cá —, mas não é nenhum génio e não inventou a roda. Estruturou-se no 4x3x3 tradicional, ainda que assimétrico, e conta com competência em todos os setores, desde logo uma defesa sólida, com Verbruggen na baliza e Dumfries, Van Hecke, Van Dijk e Van de Ven à frente. No caso do lateral, bem mais à frente, o que pode ser explorado pelos rivais. O meio-campo apresenta o gestor de ritmos De Jong, o 'Pogba-wannabe' Gravenberch e o vertical Reijnders.

No ataque, a esquerda é de Gakpo, seja junto à linha ou nas diagonais, e Koeman promoveu o twist decisivo com o deslocamento do goleador Malen para a direita para aproveitar a fisicalidade de um Brobbey com sete vidas entre os centrais. E há ainda um Summerville que mexe sempre quando entra. Ataque posicional com jogadores entrelinhas e triangulações, atrair dentro para explorar fora, transição ofensiva em vertigem. Uma lição para quem queira ver.

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