Mundial
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Maradona ou Messi? Uma enorme questão que pode resolver-se domingo à noite
É uma discussão muito interessante a de tentar perceber quem foi, afinal, o melhor baixinho canhoto argentino a jogar futebol.
Se é apreciador de ambos, seja bem-vindo; se prefere, em absoluto, outros jogadores, bem-vindo seja também; se, porém, é daqueles que odeia gratuitamente só porque prefere Pelé a Maradona ou Ronaldo a Messi, talvez não valha a pena perder tempo a ler este texto, dedicado a todos os que conseguiram, nas últimas duas décadas, dar valor ao privilégio de ver em simultâneo, semana após semana, duas das maiores lendas do futebol mundial. Sim, eles ainda jogam mas há muito que já são lendas.
Mas falemos então de argentinos: Maradona desbravou um caminho. É certo que a Argentina já tinha sido campeã do Mundo em 1978 sem ele (preterido aos 17 anos já depois de se ter estreado como internacional), mas as caminhadas de 1986 e 1990 (final perdida) foram épicas.
Diego Armando tinha, sobretudo fora dos relvados, uma dimensão de pop star, até uma dimensão política, que Messi nunca teve, não terá e, valha a verdade, nunca pareceu interessado em ter.
A personalidade vincada, o gosto pelas beiras dos abismos, a utilização abusiva de drogas, as polémicas, a vida privada, os statements políticos, tantas vezes polémicos (pense-se por exemplo na amizade com Fidel Castro) fizeram de Maradona uma personagem altamente biografável, um sonho para documentaristas ou autores de livros e filmes sobre figuras marcantes.
Lionel tem pouco de sexy, sabe-se quase nada sobre a vida privada, as mansões ou as joias e não se lhe conhecem grandes escândalos para lá de umas divergências fiscais. Casou com a namorada de infância ou adolescência, é muito pouco atraente para lá da magia que espalha pelos relvados.
Além de uma seleção e um País, Diego Armando levou um clube ao colo. O Nápoles até voltou, recentemente, a ser campeão italiano, mas dificilmente voltará ao nível daqueles anos 80/90.
Messi foi muito de um fantástico Barcelona, mas os catalães já eram enormes antes e continuaram a sê-lo depois dele. Visitem-se as duas cidades (que bem valem a despesa) e compare-se a presença de um e outro.
Recentrando atenções no futebol puro e duro, contudo, creio que no domingo algo pode mudar. Se a Argentina perder, continuarão ambos a dividir o trono. Mas se ganhar... Messi poderá ser o novo Dios.