Enzo Fernandez abriu o caminho à 'virada' argentina
Enzo Fernandez abriu o caminho à 'virada' argentina

Para que não subsistam quaisquer dúvidas, sou pela competência e não tenho nenhum ‘parti pris’ contra os treinadores estrangeiros. Antes de andarmos pelo mundo a ensinar futebol, aprendemos sobretudo com os húngaros, ingleses e brasileiros, que nos levaram para patamares superiores. Devemos ter esta consciência e prestar homenagem a quem nos ajudou e nos mantém alerta para não nos deixarmos adormecer. Duas das maiores revoluções do nosso futebol tiveram o brasileiro Otto Glória e o sueco Sven-Goran Eriksson como protagonistas, pelo que só nos fica bem a humildade de reconhecer que adquirir saber, venha de onde vier, é fundamental para evoluir.

Dito isto, e tendo o Campeonato do Mundo no ponto de mira, mais uma vez será um treinador ‘nacional’ a sagrar-se campeão do mundo, Sclaloni ou De la Fuente. E quantas vezes aconteceu isto, desde 1930? Todas! Sim, nunca um treinador 'estrangeiro' se sagrou campeão do mundo. E sabem quantos treinadores 'estrangeiros' estavam nas 48 seleções concorrentes ao Mundial de 2026? Nada mais, nada menos do que 26, sendo as quedas de Ancelotti, Tuchel, Martínez, e Garcia, as mais impactantes.

Mas este Campeonato do Mundo da América do Norte abre-nos outra possibilidade: Lionel Scaloni pode igualar, assim a Argentina derrote a Espanha na final, o italiano Vittorio Pozzo, até agora o único treinador a vencer dois Mundiais consecutivos (1934 e 1938)...

Quanto ao jogo de ontem entre argentinos e ingleses, confesso que comecei a torcer pelos europeus e acabei a desejar a vitória dos sul-americanos. Quis que a Inglaterra chegasse à final, porque são um país de futebol, têm adeptos (uma vez erradicados os ‘hooligans’) que respeitam a integridade do jogo, e puseram de pé o melhor campeonato do planeta, onde atuam cinco dos titulares da Argentina que ontem acedeu à final, em Atlanta. Acabei a querer que a ‘albiceleste’ vencesse porque os apóstolos de Messi juntaram a uma disciplina futebolística europeia, as ‘ganas’ que sempre os caraterizaram. Como dizem os brasileiros, não tiveram ‘sangue de barata’, ou, como dizemos nós, tiveram ‘sangue na guelra’, enquanto que os ingleses de Tuchel, mal se viram em vantagem, levaram o resultadismo à enésima potência, ‘alugaram’ um ‘Double Decker’ que colocaram à frente do magnífico Pickford, e deixaram uma imagem de equipa pequena.  

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…

A iniciar sessão com Google...