«Se tivesse oportunidade de voltar ao Benfica não hesitaria»
Formado no Benfica, e com passagens posteriores por Vitória de Guimarães, Estoril, Crown Legacy e Charlotte FC, Iuri Tavares brilha agora na Croácia, no Varazdin. Já a preparar a nova temporada, mas atento ao telefone, atende A BOLA para uma conversa sobre aquilo que pode vir aí, depois da melhor época da carreira, mas reflete também sobre o que ficou para trás.
Já está a preparar a nova época no Varazdin, mas falar da última temporada: 36 jogos, seis golos e duas assistências. Foi a melhor época a nível individual?
Sim, a nível profissional foi a época em que fui mais consistente, joguei quase todos os jogos bem. Então acredito que foi a melhor época que eu tive até agora.
O Varazdin ficou em 3.º na Liga croata, apenas atrás de Dinamo Zagreb e Hajduk Split. Qual foi o segredo?
Foi uma época muito difícil, desgastante. Ficámos à frente do Rijeka, que foi campeão há duas épocas. Mas acho que a palavra ideal para descrever a época passada foi consistência. Tivemos bons resultados contra as maiores equipas, principalmente o Rijeka. Contra o Hajduk Split também, só contra o Dinamo é que os resultados não foram tão favoráveis. Foi uma época formidável.
O rendimento individual mostra que a adaptação foi fácil, ou nem tanto assim?
Não foi fácil... A cultura é completamente diferente daquilo a que estava habituado. Mas ao longo do tempo fui ganhando confiança, fui ganhando força também. E foi demonstrar o meu futebol, não foi nada mais do que isso. O treinador e o clube deram-me a liberdade de poder mostrar o meu futebol, acredito que foi mais isso. Depois também tive a ajuda dos meus colegas, foram espetaculares.
Foi eleito um dos melhores extremos da Liga croata, marcou um golaço que foi candidato a melhor do ano…
Foi bom ser várias vezes nomeado para jogador do mês, ganhei uma vez o melhor golo do mês, esse de que falou, e estar na equipa do ano. Foi maravilhoso, foi o trabalho a ser reconhecido. O sentimento foi bom porque é difícil ser consistente no futebol, e eu consegui ter essa consistência.
Há um ano o Varazdin foi eliminado pelo Santa Clara nas pré-eliminatórias da Liga Conferência. Desta vez entrar na fase principal da prova é um objetivo claro?
Temos qualidade para isso. Mesmo no ano passado, a nossa eliminação com o Santa Clara foi injusta, na minha opinião. Acho que fomos os melhores nas duas eliminatórias. Acredito que este ano aqui será um ano de surpresa para o Varazdin. Acho que vamos conseguir mostrar muita capacidade.
Mas a época 2026/27 é mesmo para cumprir no Varazdin, ou ainda há possibilidade de saída?
Tudo pode acontecer, derivado à época que eu fiz o ano passado. Já em janeiro surgiram algumas coisas, e agora ainda mais. Tudo pode acontecer, vai depender de muita coisa. Neste momento estou focado no Varazdin, é aqui que eu jogo.
Saiu muito cedo de Portugal. Foi positivo para a evolução, ou agora sente que foi demasiado cedo?
Não, foi das melhores decisões que eu tomei na minha vida. Cresci a nível pessoal e profissional, tendo as experiências que eu tive. Claro que ninguém quer sair do Benfica, mas devido a muitas circunstâncias quis sair e experimentar novas experiências. E quando vou para o V. Guimarães também aprendi muito, quando vou para o Estoril aprendi muito, e depois, quando dou o salto para os Estados Unidos, é onde eu cresço a nível pessoal e profissional, onde eu disparo. E depois a Croácia, mais uma nova experiência fora do país, fora de uma realidade a que estava habituado e que me fez crescer.
Como é a vida em Varazdin?
É uma cidade tranquila. Eu, sinceramente, gosto de espaços assim, zonas tranquilas, sem stress, sem problemas. Aqui não é muito diferente de Portugal, a cultura é parecida. Só que eu vivo mais ou menos numa vila, acaba por ser um pouco diferente da capital, que é Zagreb, muito parecido com Lisboa. Aqui é um meio mais pequeno, as pessoas estão habituadas, por exemplo, a andar muito de bicicleta, a caminhar muito. É diferente do que acontece na cidade, onde há muito mais barulho, confusão e tudo mais. Mas pronto, é bom viver aqui, é um país maravilhoso, onde sou muito bem tratado. As pessoas conhecem-me, é um meio muito pequenino e acabo também por estar tranquilo, porque as pessoas aqui são top.
Falou da ligação de vários anos ao Benfica. Ainda há um sabor amargo por não ter concretizado o sonho de jogar na equipa principal?
Há sempre, há sempre… Acho que qualquer jogador que deixa a formação, principalmente depois de muitos anos, fica sempre aquele amargo... Qualquer jogador que faz a formação no Benfica sonha jogar no Estádio da Luz, representar o Benfica ao mais alto nível. Mas é a vida, faz parte. Tive a sorte de representar o Benfica durante 11 anos, sou grato, foi o clube que me tirou do bairro, que me formou como homem, que me fez aprender a ter valores e pronto, serei grato sempre e continuarei a ser um adepto.
Mas é algo que fica no passado, ou até motiva o Iuri para o futuro?
Claro que, se tivesse a oportunidade de regressar ao Benfica, com certeza não hesitaria. É o clube do meu coração, o clube de todas as pessoas da minha família, basicamente. Ter a família a ver-me jogar no Estádio da Luz, a representar o Benfica ao mais alto nível, seria um sonho. Mas tenho os meus objetivos, tenho sonhos, luto por eles. Não penso muito no futuro, penso no dia-a-dia, no que eu posso controlar. Quem sabe se um dia acontece ou não.... se acontecer eu estarei preparado, se não acontecer também está tudo certo.