Unai Simón na baliza e Oyarzabal no ataque numa Espanha completa - Foto: IMAGO

O fabuloso destino 'Rojo'

A Espanha pode não ser campeã do mundo, mas De la Fuente sairá sempre por cima deste Mundial

De todos os semi-finalistas, só a Espanha tinha jogado grandes jogos até agora. França, Inglaterra e Argentina, com maior ou menor nota artística, limitaram-se a cumprir os serviços mínimos para atingir a fase das decisões. Não chegar a esta fase da prova seria uma desilusão para todos. Terá isso feito a diferença? Em muitos jogos deu a sensação de que os jogadores franceses eram muito melhores.

Não havia dinâmica colectiva que lhes fizesse frente porque a diferença era muita. Quando o nível do adversário subiu a equipa não foi capaz de dar resposta. Creio que poucos imaginavam que a Espanha se sobrepusesse desta maneira ao grande favorito. Não temos forma de saber o que seria do jogo se Digne não tivesse cometido penálti sobre Yamal, talvez isso tenha detonado os níveis de confiança dos franceses e tenha agarrado os espanhóis ao seu plano de jogo. No entanto, registe-se como a França praticamente não teve oportunidades de golo nem remates enquadrados, o que numa equipa que começou o jogo com Mbappé, Olise, Barcola e Dembélé é impressionante.

O dado interessante é que isto esteve longe de significar que a Espanha se tenha defendido com unhas e dentes, ou talvez o tenha feito da maneira mais eficiente possível: tendo a bola, gerindo ritmos de jogo, mantendo o adversário longe da baliza. E isto foi suficiente para que os espanhóis tenham concedido apenas um golo durante os cinco jogos da competição.

Luis de la Fuente arrisca-se a passar de ilustre desconhecido a um nome marcante da história do futebol num par de anos. Mesmo sendo a Espanha uma das mais fortes seleções do torneio, é evidente que a subida de rendimento de Rodri e Yamal potenciou o crescimento colectivo da equipa. Por outro lado, substituir Pedri nunca seria uma decisão fácil, e a entrada de Fabián Ruiz catapultou a equipa para outro patamar.

Talvez tenha sido, aliás, parte do problema da selecção francesa. Sentiu-se sempre que Rabiot e Tchouaméni não chegaram para as encomendas. Rodri dominou o meio-campo e teve um papel decisivo na circulação espanhola. Oyarzabal meteu-se muitas vezes por dentro do bloco, arrastou centrais, potenciou entradas em rotura. Novamente: Rabiot e Tchouaméni ou, noutra versão, Rabiot e Koné, foram suficientes quando menos faziam falta. Quando a exigência subiu os problemas estruturais evidenciaram-se.

A Espanha pode não ser campeã do mundo, mas De la Fuente sairá sempre por cima de um Mundial que até foi iniciado aos ziguezagues. Curiosamente, como o último campeão do mundo.

A iniciar sessão com Google...