Sorloth, avançado da Noruega, foi muito criticado após o jogo frente à Inglaterra - Foto: IMAGO

Tomada de decisão. Além de ser um dos atributos mais importantes do futebol moderno, é também uma das terminologias mais utilizadas por treinadores, analistas e comentadores de futebol. Por norma, associa-se aos momentos com bola, mas também se tomam decisões sem ela. Tal como se tomam decisões a partir do banco de suplentes.

Bernardo Silva e Bruno Fernandes decidiram contestar a decisão do árbitro que havia assinalado falta sobre Mikel Merino. A contestação levou-os a perder o foco durante breves segundos, o suficiente para o mesmo Merino repor rapidamente a bola em jogo. A jogada desenrolou-se, Diogo Dalot focou-se apenas na bola enquanto Rúben Dias decidiu encurtar sobre Ferran Torres. Todos sabemos o que a soma destas decisões sem bola custou a Portugal – um golo e o adeus ao Mundial.

Gabriel Magalhães, velho conhecido de Haaland na Premier League, decidiu afundar para proteger o espaço junto à baliza de Alisson. Sem bola, não orientou os apoios de forma a poder disputar o duelo aéreo e, pior do que isso, focou-se apenas na bola. Perdeu a noção do espaço à sua volta que poderia ser atacado por Haaland, perdendo igualmente a referência na marcação. Schelderup cruzou com conta, peso e medida, o goleador norueguês fez o que melhor sabe e abriu as portas do adeus canarinho ao Mundial 2026.

Sorloth será o rosto mais visível da importância de uma boa tomada de decisão com bola por parte de um jogador. A Noruega vencia por 1-0 e, prestes a fechar a primeira parte, Oddegard isolou Sorloth em contra-ataque. A vantagem numérica e posicional favorável à Noruega pedia o passe de Sorloth para Haaland. O nº 7 norueguês decidiu resolver a jogada individualmente. Perdeu tempo e espaço. Não criou perigo. Minutos depois Bellingham empatava a partida.

No banco, Carlo Ancelotti decidiu lançar Neymar em campo quando ainda havia 0-0 no marcador frente à Noruega. Optou ainda por derivar Endrick para o corredor lateral direito, de modo a não expor Neymar. O Brasil nunca mais criou perigo e Haaland fez o resto.

Thomas Tuchel perdia ao intervalo frente à Noruega. Optou por deixar Rice e Madueke nos balneários, lançando Eze e Saka nos seus lugares. A Inglaterra instalou-se definitivamente no meio-campo ofensivo, operou a reviravolta e obrigou a Noruega a regressar mais cedo a casa.

E ainda que a tomada de decisão possa ser treinada e que o contexto seja fulcral para a mesma, nada importa mais do que a cabeça do decisor. Seja ele jogador ou treinador.

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