João Pinheiro apitou três jogos e foi quarto árbitro de outro neste Mundial
João Pinheiro apitou três jogos e foi quarto árbitro de outro neste Mundial

E afinal que portugueses ficam no Mundial até ao fim?

Estão nas meias-finais do Mundial as quatro melhores seleções — mesmo — e... já agora os 13 melhores árbitros. Um deles é português, embora isso pouco nos orgulhe por cá

Entramos na reta final do 23.º Campeonato do Mundo com a reconfortante sensação de que chegam à fase decisiva as quatro melhores equipas quer do torneio quer da atualidade. Claro que os oitavos de final souberam a pouco aos portugueses, mas patriotismos e preferências à parte será difícil não interpretar o naipe de semifinalistas com uma sensação de justiça apurada. França, Espanha, Argentina e Inglaterra são mesmo as melhores seleções do Mundo nos dias que correm.

Brasil e Alemanha, os outros colossos eliminados, pouco mostraram que justificasse outro fim. Percorrido o mapa de eternos favoritos (e tendo em conta que a Itália não veio sequer a jogo), importa olhar para a segunda linha de candidatos.

Sobre Portugal, que até eliminou a Croácia, há pouco a acrescentar. A Bélgica e os Países Baixos foram mais ou menos iguais a si próprios, ou ao que têm sido nos últimos anos, e o Uruguai há muito que saiu deste lote.

Do lado das boas surpresas temos Cabo Verde (à sua escala, que nos nossos afetos é maior e ainda bem), Estados Unidos, Marrocos, Suíça e Noruega.

Se pensarmos que a Suíça, de 2016 para cá e falando de Europeus e Mundiais (a Liga das Nações é uma coisa muito portuguesa, ainda), fez o mesmo que Portugal nas fases finais, sobra então a Noruega como melhor não-semifinalista deste torneio. De longe, diria.

Mas o futebol do Mundial não são só as seleções e aí Portugal tem um motivo de orgulho ao qual liga pouco e se for preciso ainda despreza: neste momento, João Pinheiro e os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia são os únicos portugueses que ainda podem sonhar com a final.

Ao que se sabe é improvável tal acontecer, mas estar entre os 13 árbitros que ficam até ao fim, sendo que oito serão nomeados para os quatro jogos (árbitro e quarto árbitro), é proeza à qual estamos a dar muito pouca importância.

Chamado como árbitro principal para três jogos até ao momento (mais um como quarto árbitro), teve decisões de risco para tomar e tomou-as todas de forma correta, com ajuda do VAR.

Podem contestar-se as regras e os protocolos (eu também tenho um fraquinho nostálgico pelo futebol sem VAR, confesso), mas questionar o que é óbvio perante a tecnologia e as normas existentes não é, de todo, sensato.

João Pinheiro e a respetiva equipa devem orgulhar Portugal, sim. Mesmo que nos preparemos para mais um ano inteiro a dizer mal deles e dos colegas todos, na maioria das vezes como justificação fácil para insucessos e grãos de areia para os olhos dos adeptos.

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