Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, destacou a importância do projeto Estágio da Jogadora para o crescimento da modalidade

Estágio da Jogadora regressa com ambição reforçada: «Aqui, podem seguir o sonho»

Arrancou a segunda edição da iniciativa do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol e a mensagem mantém-se: criar oportunidades dentro de campo, sem esquecer o futuro fora dele. A BOLA acompanhou o primeiro dia de trabalhos e ouviu Joaquim Evangelista e Carla Couto

Arrancou esta segunda-feira a segunda edição do Estágio da Jogadora, iniciativa promovida pelo Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) destinada a futebolistas femininas sem clube ou que pretendam manter a forma antes do arranque da nova temporada. A BOLA esteve presente no início dos trabalhos, que decorrem no Campus do Jogador, em Odivelas, e que contam, nesta edição, com 33 participantes.

Joaquim Evangelista, presidente do SJPF, esteve presente no primeiro dia e começou por destacar a importância do projeto para o crescimento da modalidade: «É importante apostar nas jogadoras de futebol. Temos falta de praticantes e, para o futebol feminino crescer, precisamos de mais jogadoras. Aqui, dizemos que temos um 'futebol sem género', ou seja, as oportunidades são iguais para homens e para mulheres. Aquelas mulheres que queiram ser jogadoras de futebol, que queiram praticar futebol, aqui têm um espaço livre para o poderem fazer e seguir o sonho.»

«Queremos criar confiança nas famílias, dizer aos pais que acreditem nas filhas que queiram ser futebolistas e que lhes deem a oportunidade. Ás vezes, a sociedade tem preconceitos e não dá condições para que a vontade delas seja efetivada. Aqui, damos as condições, criamos as oportunidades, depois compete às próprias fazerem a diferença», acrescentou

Questionado sobre a continuidade da iniciativa, Evangelista foi perentório. «Enquanto houver jogadoras que queiram treinar e ter condições para iniciar a pré-época ou serem jogadoras de futebol, terão no Sindicato uma entidade que irá ao encontro desse objetivo.»

«Temos de incentivá-las a serem melhores»

Os trabalhos em campo são liderados pela antiga capitã da Seleção Nacional, Carla Couto, que acumulará funções com a de dirigente responsável pela iniciativa — contando com o apoio de Matilde Fidalgo, responsável do SJPF para o futebol feminino, Micaela Matos, delegada sindical, Filipa Silva, que se estreia como treinadora-adjunta após ter terminado a carreira de jogadora, e a preparadora física Natacha Martinho. A ex-jogadora explicou que o principal foco passa por preparar as atletas para a nova época, tanto dentro como fora do campo. «O mais importante é prepará-las o melhor possível para quando tiverem que integrar os seus clubes, irem melhor fisicamente e taticamente. À medida que vamos evoluindo nos treinos, queremos criar uma maior complexidade para que também possam desenvolver outras capacidades.»

Considerou, ainda, que o equilíbrio entre exigência e motivação será determinante ao longo das próximas semanas. «Temos de incentivá-las a serem melhores. Temos jogadoras mais velhas, jogadoras mais novas, e queremos criar algo que as motive e que as faça vir para aqui com vontade de trabalhar. Queremos compromisso, mas isto não é um clube. O futebol tem que ser uma diversão. Queremos proporcionar-lhes momentos de lazer, mas depois também de compromisso e de evolução, tanto a nível académico como a nível futebolístico.»

Apesar do sucesso da primeira edição, Carla Couto garante que o foco continua a ser ajudar cada participante a chegar melhor preparada ao início da temporada. «Temos que trabalhar sempre no sentido que elas cheguem e consigam ter clubes para jogar. Mas é uma pré-época que elas estão aqui a fazer, contrariamente aos homens, não vêm para aqui só jogadoras que estão sem clube. Elas vêem o estágio como uma oportunidade de poderem melhorar as capacidades técnico-táticas e irem mais bem preparadas para os clubes.»

Carla Couto lidera os treinos no Campus do Jogador. Foto: SJPF

Além da vertente desportiva, o estágio, que durará até ao próximo dia 14 de agosto, aposta forte na componente formativa, através de ações ligadas ao desenvolvimento pessoal, aprendizagem de línguas, preparação para o mercado de trabalho e transição de carreira, procurando dotar as jogadoras de ferramentas que possam ser úteis quando terminarem o percurso no futebol.

Integrantes do Estágio da Jogadora e membros do SJPF. Foto: SJPF

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