Tour defende-se: «Não há hotéis de cinco estrelas em todo o lado»
Christian Prudhomme, diretor do Tour de France, respondeu esta terça-feira às críticas sobre a qualidade dos alojamentos fornecidos a várias equipas na região de Cantal, sublinhando a complexidade da logística hoteleira da prova.
A polémica surgiu na segunda-feira, durante o dia de descanso, quando ciclistas de equipas como a Uno-X Mobility se queixaram das condições dos seus hotéis. Alguns atletas chegaram a optar por dormir ao relento devido à falta de ar condicionado, aos equipamentos velhos e a problemas de limpeza nos quartos, como foi o caso dos irmãos Anders e Tobias Halland Johannessen.
Silvan Dillier, da Alpecin-Premier Tech, também dormiu na varanda, e a equipa UAE Emirates-XRG relatou igualmente alguns transtornos.
Em declarações à rádio Ici, antes do arranque da 10.ª etapa, Prudhomme explicou que a organização, a ASO, reserva diariamente 1850 camas para toda a caravana do Tour e procura garantir equidade entre as formações no que toca à qualidade dos hotéis, distâncias percorridas e altitude ao longo de toda a competição.
O diretor da prova abordou diretamente a questão da climatização, que esteve no centro das queixas. «Outras equipas tinham ar condicionado, pois, obviamente, sabíamos que iria estar muito calor no Tour de France. Nos hotéis onde não havia ar condicionado, nós fornecemo-lo», afirmou.
Prudhomme defendeu ainda que a natureza da prova implica desafios logísticos. «A segunda coisa é que, se queremos chegar a esta França tão bela que oferece etapas magníficas, não há hotéis de cinco estrelas em todo o lado», continuou, acrescentando: «O Tour de France também é isto».
Se queremos chegar a esta França tão bela que oferece etapas magníficas, não há hotéis de cinco estrelas em todo o lado, o Tour de France também é isto
O responsável máximo pela organização argumentou que limitar a prova a grandes centros urbanos para garantir hotéis de luxo traria outros problemas. «Se quisermos ficar sempre em hotéis de cinco estrelas, temos de estar nas grandes cidades. O problema é que, com as infraestruturas rodoviárias, as grandes cidades são um pouco complicadas. Depois, dir-nos-ão que há quedas nas chegadas ao sprint porque há obstáculos por todo o lado. É um pouco a pescadinha de rabo na boca», concluiu.
Apesar da controvérsia, a equipa Uno-X Mobility partilhou mais tarde, na noite de terça-feira, uma imagem do seu novo alojamento, descrevendo-o como «talvez um dos hotéis mais agradáveis de sempre, com bom ar condicionado e um quarto limpo».