Ontem, neste espaço, embora dizendo que a prudência aconselhava a que se fizessem prognósticos à João Pinto, afirmei que não me parecia que a Espanha tivesse defesa para aguentar o ataque da França.

Provavelmente não me enganei, porque se um jogo de futebol fosse apenas defesa contra ataque, os gauleses estariam na final do Mundial. Porém, o futebol é muito mais do que isso, não são os jogadores, ou cada setor analisado ‘per si’, que são decisivos, mas sim a equipa. E 'La Roja' assinou uma exibição coletiva soberba, comparável apenas à da final do Europeu de 2012, arbitrada por Pedro Proença, em que destroçou a Itália por 4-0, em Kiev.

É curioso como o Desporto, em especial o futebol, serve de argamassa à ideia do ‘País-Espanha’, quando se sabe que ‘nuestros hermanos’ estão mais perto de serem um Estado federado do que de uma monarquia una. 'La Roja', que derrotou de forma inapelável uma França que foi manta de retalhos, juntou as forças dos bascos Unai Simon, Oyazarbal, Nico Williams e Laporte (do lado de lá dos Pirinéus), do estremadurense Pedro Porro, dos catalães Cubársi, Dani Olmo, Lamine Yamal e Cucurella, dos andaluzes Baena e Fabián Ruiz, dos madrilenos Rodri e Llorente, do valenciano Ferran Torres, do navarro Mikel Merino, e do canário Pedri. Foram estes jogadores, oriundos de destinos diferentes que, sob a mesma bandeira, se fundiram num só, e fizeram mais pela integridade espanhola do que gerações atrás de gerações de políticos.

E, feitas a contas, sabem quem foi a única seleção, até agora, no Mundial da América do Norte, a defrontar ‘nuestros hermanos’ e a sair de campo sem ser derrotada? Cabo Verde, a Cinderela deste torneio, que ainda levou a Argentina de Messi,  campeã do Mundo, a prolongamento, antes de regressar, em glória, à terra mãe.

Resolvida a questão do primeiro finalista - e, francamente, não esperava tanto de Espanha e tão pouco da França - joga-se hoje a segunda meia-final, apimentada pela guerra das Malvinas, pela ‘mão de Deus’, e ainda pelos cinco titulares da ‘albiceleste’ que atuam na Premier League:  o guarda-redes Emiliano Martínez (Aston Villa), os defesas Cristian Romero (Tottenham) e Lisandro Martínez (Manchester United),e os médios Alexis Mac Allister (Liverpool) e Enzo Fernández (Chelsea). Quem vai ganhar? Sei lá…  

* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minutemen, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…

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