António Silva é um dos capitães do Benfica - Foto: IMAGO
António Silva é um dos capitães do Benfica - Foto: IMAGO

António Silva: cortar o mal pela raiz com o patinho feio

Todos sairão a ganhar com a provável venda do central por parte do Benfica. António Silva tornou-se num alvo fácil e precisa de mudar de ares o quanto antes

Há momentos na vida dos clubes e dos jogadores em que é necessário fechar ciclos (veja-se a autêntica revolução que Frederico Varandas decidiu levar a cabo no Sporting depois da desilusão que foi 2025/26) e, apesar de o Benfica não o ter sabido fazer nalguns casos no passado recente, como o de Nicolás Otamendi, estará a tomar a decisão correta ao permitir a saída de António Silva neste defeso.

Não só porque, face à relutância do central em renovar contrato, é a última oportunidade de ainda encaixar dinheiro — e, sem Champions, tão necessário que ele é para fazer face às exigências, já públicas, de Marco Silva para retocar um plantel caro mas desequilibrado —, mas também por se ter percebido que o defesa chegou ao fim da linha na Luz. Não terá sido, certamente, pela prestação aquém desejado no amigável com o Flamengo, entre uma equipa em início de pré-temporada e outra a meio da época, mas foram várias as falhas ao longo das últimas temporadas que foram deixando António Silva com espaço de manobra reduzido. Não só no Benfica, mas também na Seleção, e a ausência dos convocados de Roberto Martínez para o Mundial foi apenas mais uma das muitas machadadas na confiança que o jogador sofreu nos últimos tempos.

Como se isso não bastasse, o ex-selecionador, em mais um dos seus momentos comunicacionais de levar as mãos à cabeça, preferiu queimar um jovem de 22 anos em praça pública por causa de um episódio no Euro 2024, ao invés de o proteger e disso não fazer caso.

António Silva tornou-se numa espécie de patinho feio e o alvo para o qual é fácil apontar o dedo quando as coisas não correm bem. E, perto dos 23 anos, está numa fase crucial da carreira: ou faz o reset longe do Benfica, e vai muito a tempo disso, ou corre o risco de vir a ser mais um dos que muito prometeram mas acabaram por nunca corresponder às expectativas. Não há tanto tempo assim, com Ferro, o Benfica teve esse exemplo na mesma posição.

Perder António Silva e Otamendi de uma vez só obrigará a refazer as fundações da equipa e contratar com critério, até porque a condição física de Tomás Araújo é um constante ponto de interrogação. Com Lenglet, o Benfica ganha qualidade com bola e experiência, mas terá de acrescentar agressividade e poder físico ao companheiro de setor do francês. A águia tem ignorado o mercado interno, mas olhar para Ibrahima Ba (Famalicão) pode ser a aposta certa para a sucessão.

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