Jorge Jesus: «I'm the boss»
Jorge Jesus foi o treinador mais influente em Portugal na segunda década do século XXI. Primeiro, pelo modo como pôs o Benfica a «jogar o dobro»; depois por levar as águias a duas finais europeias e a três campeonatos em seis épocas, mesmo com aquele ajoelhar doloroso no Dragão; também por ter trocado a Luz por Alvalade e ter recolocado o Sporting na luta por um título; mas, sobretudo, por ter influenciado o futebol em campo, com uma vaga de treinadores a segui-lo e uma série de jogadores a «deverem-lhe» carreira.
Inesquecíveis serão também algumas das intervenções em frente às câmaras e as de ontem também entrarão na história.
Já muito se falou dos desafios de Jesus: de ter de se adaptar a uma nova realidade em termos de trabalho, de uma posição mais institucional pelo papel que tem. A tudo isto o técnico respondeu, com algumas ideias em destaque e uma delas muito clara: quem manda é ele.
JJ nunca foi homem de deixar créditos nas mãos de outros e sobre o modo de trabalhar, pois não está com a equipa diariamente, atirou logo que não achava que teria de ser diferente e que não seria por aí que o sucesso não viria. Nos seus tempos menos mediáticos, JJ já dizia que era ele próprio quem desenhava os seus treinos. Indo um pouco contra a corrente de pensamento, Jesus crê que é possível criar um tipo de treino que faça uma equipa vencedora em pouco tempo e sem a ter todos os dias. «O futebol é uma ciência de cada um», frisou, como que a lembrar que ele é único.
Na declaração inicial, Jesus também referiu que, ajudado por Lourenço Coelho, não vai «facilitar em nada, nem ter receio de confrontar seja quem for» pois quem define o caminho é ele. Era inevitável, fosse JJ ou outro, falar do papel de Ronaldo. Aí, Jesus disse logo que falaria «com o Cris» como falaria com os outros. «Desde que eu perceba até onde ele pode chegar e até onde posso chegar», declarou, para recordar o registo «do Cris», com ele e que ele, JJ, não terá problemas em fazer o que tiver de ser feito: «No ano passado, o Al Nassr fez 50 jogos e ele fez 31. No campeonato, substituí-o 16 vezes. Nunca confundimos o que é ele, o jogador, e o que sou eu, o treinador, e as decisões que tenho de tomar.»
Não pode haver dúvidas, nem para o maior jogador da História do país: quem manda, é ele, JJ. E caso duvidemos, perguntemos a Neymar, a quem ele atirou: «Tu, finish.» Jesus não o disse de forma taxativa, mas disse-o ao longo da apresentação. «I'm the boss».