Um adeus português
Acabou. Já em tempo de compensação, mas ainda em tempo útil para La Roja. O golo de Merino, que tirou Portugal do Mundial de 2026, foi uma espécie de castigo anunciado para uma equipa que prolongou para além do racional o contributo de Ronaldo, e não melhorou com a troca de Vitinha por Bernardo Silva, quando Bruno Fernandes apresentava mais dificuldades do que o jogador do PSG.
Esta não é uma crónica de jogo, por isso não me deterei noutro tipo de circunstâncias. Mas não posso deixar de dizer que durante quase todo o tempo houve comando alternado, até um quarto de hora do fim, momento em que a Espanha passou a ser cada vez mais perigosa, sem que Portugal, já com Cristiano Ronaldo em penosas condições, tivesse resposta à altura.
Sair de um Mundial, no mata-mata, perdendo 1-0 com a Espanha já quase fora de horas, não deslustra. Mas fica o travo amargo provocado por aquela sensação de que era possível fazer melhor, do ponto de vista da coesão, e também de conseguirmos outro resultado.
Seguem-se outras competições, já estamos apurados, na qualidade de anfitriões, para o próximo Mundial, e não nos faltam jogadores para continuarmos a pertencer ao primeiro mundo do futebol.
O título desta crónica, ‘Um Adeus Português’, aplica-se à saída da Seleção Nacional do Mundial; ao ‘adiós’ a Roberto Martínez, que fica para sempre ligado ao nosso futebol pela conquista da Liga das Nações de 2025; e também à certeza de que Cristiano Ronaldo já ultrapassou o prazo de validade para estas andanças.
Na conferência de imprensa da véspera da partida com a Espanha, Ronaldo afirmou que ele é que decidia quando saía da turma das quinas. Ele? Então não é o selecionador?
Infelizmente, Cristiano Ronaldo, a quem seremos eternamente gratos pelo que fez por Portugal, foi utilizado em 440 minutos dos 450 jogados por Portugal nos Estados Unidos, o que não esteve de acordo com as suas atuais capacidades: CR7 tem alguma intencionalidade e capacidade de finalização, quando está na área contrária, mas já não conta no um-contra-um, não defende e recua demasiadas vezes para tentar ter bola, deixando vazia a área que devia ocupar. Ele, que tantas vezes foi solução, desta feita foi problema. E não houve quem tivesse coragem para colocar ordem na casa.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…