Mundial
Mundial
Cristiano Ronaldo e Roberto Martínez: a última dança foi um 'slow'
Portugal saiu do Mundial 2026 nos oitavos de final, mais cedo do que muitos esperariam, e com apenas uma exibição para recordar: ao segundo jogo, frente ao nada poderoso Uzbequistão. Quase tudo o resto foi desilusão misturada com alguma sorte, como frente à Croácia. Bem podia Roberto Martínez fazer o habitual exercício de otimismo para tentar encontrar pontos positivos nesta prestação, mas há uma geração inteira que pode - e deve - cobrar-lhe muito mais.
O resultado final de ontem nem sequer traduz a diferença de grandeza de pensamento. Espanha jogou como os grandes, foi crescendo em campo até ao inevitável golo e mexeu o que foi preciso para lá chegar. Portugal tentou não perder, baixou muito no terreno e desejou que um cruzamento resolvesse o crónico defeito de a soma das partes fazer um todo menor.
Se estão convencidos que os jornalistas quiseram matar alguém, então ouçam as palavras de Bruno Fernandes no final do jogo, como já deviam ter ouvido Bernardo Silva após os 16 avos. Não basta ter os melhores do mundo, há que jogar como os melhores do mundo.
O ciclo de Roberto Martínez chegou ao fim e, conforme A BOLA adiantou ontem à noite na edição online, Pedro Proença deseja agora Jorge Jesus. Uma espécie de intervenção divina, mas só depois de ter entregado este Mundial a Deus. O selecionador terá cometido muitos erros, mas será impossível que admita algum (nem que escolheu o pior lado do torneio?).
Cristiano Ronaldo despediu-se da maior prova do mundo com mais 90 minutos que não fazem jus à sua própria história. Nunca saberemos o que podia ter sido este Mundial com um treinador com coragem ou um capitão com noção. Depois do folclore com o Uzbequistão e a Croácia e o corridinho para não falar depois da RD Congo e da Colômbia, afinal a última dança foi um slow. Agora só o amigo Donald Trump poderia tentar reverter a eliminação de Portugal...
Quando escrevi este artigo de opinião ainda não havia resultado final do Estados Unidos-Bélgica, mas infelizmente já sabemos que houve uma intervenção política na retirada da suspensão a Balogun. Que a FIFA de Infantino expõe uma subserviência preocupante a Donald Trump já não é novidade, mas interferir assim nas regras deste desporto que adoramos é uma linha vermelha que foi ultrapassada à vista de todos. O Mundial 2026 já teve grandes jogos e protagonistas épicos que não vamos esquecer, não precisava desta vergonha.