Vitinha, Figura do Ano de A BOLA, com o respetivo troféu - Foto: André Carvalho
Vitinha, Figura do Ano de A BOLA, com o respetivo troféu - Foto: André Carvalho

«Se não fosse pelo medo de começar a cair nunca teria saído da minha zona de conforto»

O tempo passava e não jogava com regularidade e o treinador do FC Porto, após o seu regresso de Wolverhampton, fê-lo procurar outras coisas no seu jogo. Deu-lhe o clique que o ajudou a ser o que é hoje

— Teve de convencer Sérgio Conceição. Não foi fácil.

— Acho que já gostava muito de mim e das coisas que podia acrescentar à equipa, mas não achava que estava 100% preparado no início. Coube-me a mim puxar dos galões, acrescentar coisas ao meu jogo. Agressividade, intensidade… Se bem que já era algo dinâmico, mas a intensidade no momento defensivo, de recuperar bolas, de sentir que o jogo não era só ter bola no pé. E saí da minha zona de conforto. E se não fosse ir para o Wolverhampton, voltar, terem passado um ou dois anos e continuar a não jogar… Se não fosse por esse medo de começar a cair, não tinha saído da minha zona de conforto. Ia continuar no ‘tenho qualidade, jogo para aqui, jogo para ali’. Deu-me o click. Disse ‘tenho mesmo de dar ao chinelo’. Já dava, já dava. Nunca fui o jogador que não treinava bem. Eu é sempre a 100% isso e ninguém pode dizer que não. Todos vão confirmar isso, o mister inclusive, o Sérgio Conceição. Mas a defender ia… estava ali. Saí mesmo da minha zona de conforto, ia ao choque, ao duelo, se fosse preciso, mesmo que não fosse ganhar a bola. E acrescentei coisas ao meu jogo que me permitia jogar em qualquer equipa.

— Mas houve algum jogo em que sentiu que esse trabalho estava feito e que já conseguia jogar nesse FC Porto de Sérgio Conceição?

— Eu senti desde o primeiro ano que conseguia jogar no FC Porto de Sérgio Conceição…

— Mas à medida dele, com essas valências…

— Nesse ano em que comecei a jogar, provavelmente foi quando jogo com o Portimonense e marco. Ele já me tinha posto alguns jogos a titular e tinha jogado muito bem: Paços Ferreira em casa, Moreirense em casa. E depois houve o jogo do Portimonense, que precede o Atlético Madrid, que era importantíssimo, e na Champions nunca tinha jogado a titular, só na Liga. Joguei muito bem o jogo com o Portimonense. Ganhámos e marquei o meu primeiro golo pelo FC Porto nos seniores. Jogo a seguir na Champions League e mete-me a titular. Eu disse agora…

— Já está…

— Não, ‘já está’. Mas ‘agora, já não foge, já não vou deixar fugir’. E a partir daí comecei a jogar sempre. Foi o mês de Novembro e Dezembro foi perfeito, em que recebemos duas vezes o Benfica no Dragão e ganhámos os dois jogos. A partir daí, foi sempre a andar.

— Houve algum jogo que perdeu, mas em que saiu convencido que ganhou?

— Isso é difícil. Não tenho isso na cabeça, mas de certeza que há… Não, não vem à cabeça, mas aceitei melhor os jogos que perdi quando os perdi a jogar com a identidade… a jogar da forma que devíamos jogar. Perdemos? Acontece. Está tudo bem, não se ganha sempre. Agora, quando mudamos ali um bocado, é que… Quando saímos do jogo, começamos a pensar ‘E se tivesse feito isto? E se tivéssemos feito assim?’ Se calhar, isso é que é pior. Agora perder… Jogámos como jogamos sempre, da mesma forma, e eu igual e não deixei nada por fazer. ‘OK, olha, não dá para ganhar sempre.’

— Algum treinador tomou uma decisão que na altura não compreendeu, mas que depois valorizou e acabou por fazer sentido para si?

— Algumas que o Sérgio [Conceição] tomava. Não é que não concordasse na altura, porque sempre considerei que tinha muita noção das coisas e concordava, mas também acho que tinha um pouco de razão e na altura não podia explicá-lo assim. Mas acho que sim, acho que era um bocadinho dos dois.

— Alguma coisa em específico?

— Não, era essa questão das características que tinha e que já podia ter mais cedo. Mas também percebi o lado dele e ele queria que eu o fizesse. Esperou que acrescentasse isso para poder lançar-me. Com o mister Nuno Espírito Santo simplesmente nunca se deu. Lá deverá ter as suas razões e está tudo bem.

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