Liga Inglesa e clubes atentos a IA por gerar imagens sexualizadas
A Women's Super League (WSL) Football, entidade que rege os dois principais escalões do futebol feminino em Inglaterra, está a acompanhar de perto a evolução da ferramenta de inteligência artificial (IA) do X, denominada Grok, devido a preocupações com a criação de imagens sexualizadas, de acordo com The Athletic.
Vários clubes da WSL também estão a monitorizar a situação, sendo que um deles já confirmou ter atualizado as diretrizes para jogadoras e equipa técnica sobre o uso seguro de todas as plataformas, incluindo o X, enquanto outras equipas observam o panorama das redes sociais para agir em conformidade.
A polémica levou a que, em janeiro, a rede social X, propriedade do multimilionário Elon Musk, impedisse o Grok de ser usado para editar imagens de pessoas reais com roupas reveladoras. A medida surgiu após a OFCOM, a entidade reguladora independente para as comunicações no Reino Unido, ter iniciado uma investigação sobre o uso da ferramenta para criar imagens sexualizadas de mulheres e crianças, incluindo atletas femininas.
A Signify, uma organização que colabora com vários clubes da WSL e da Premier League para avaliar ameaças de abuso online, tem estado ativa nesta questão desde o seu início, no final de 2023, partilhando conselhos para mitigar os danos. No entanto, o problema transcende o X e o Grok.
«Existem ferramentas de manipulação de imagem semelhantes disponíveis fora da plataforma e vimos que também estão a ser usadas para produzir imagens e vídeos preocupantes», alertou Jonathan Sebire, cofundador da Signify, acrescentando que «esta será uma questão em aberto durante algum tempo».
A OFCOM esclareceu que, de momento, não está a investigar as versões autónomas de IA, pois estas não se enquadram na Lei de Segurança Online da mesma forma que a versão integrada do Grok no X. Um porta-voz da entidade afirmou ao The Athletic: «Só podemos tomar medidas sobre os danos online cobertos pela Lei de Segurança Online, usando os poderes que nos foram concedidos. Quaisquer alterações a estes poderes seriam da competência do governo e do parlamento».
Ainda em janeiro, a Comissão Europeia anunciou o início de uma investigação ao X ao abrigo da Lei dos Serviços Digitais, abrangendo a «disseminação de conteúdo ilegal na UE, como imagens sexualmente explícitas manipuladas» através do Grok.
A preocupação com o abuso online já teve consequências práticas. O Arsenal apagou um vídeo no X e desativou os comentários numa publicação no Instagram com a recém-contratada Smilla Holmberg devido a comentários inapropriados, sexualizados e misóginos. O Tottenham tomou uma medida semelhante na publicação que anunciava a chegada de Matilda Nilden, de 19 anos, depois de algumas respostas pedirem ao Grok para gerar imagens sexualizadas da jogadora.
«É realmente preocupante», afirmou Fern Whelan, executiva para a igualdade, diversidade e inclusão no futebol feminino da Associação de Futebolistas Profissionais (PFA). «É difícil de gerir, a menos que seja travado na origem».
Nikki Doucet, da WSL Football, sublinhou que o abuso online é uma das «maiores prioridades no momento», defendendo uma abordagem proativa. «Vimos a velocidade e a mudança no tipo de abuso que está a acontecer. Parte do conteúdo não é ilegal, mas há muito que é horrível, embora legal».
Neste contexto, a WSL Football já reduziu a sua utilização do X, dando prioridade ao Instagram e ao TikTok. A entidade pública Sport England foi mais longe e, no mês passado, decidiu deixar de usar o X para se manter fiel aos seus valores de garantir que «o desporto e a atividade física são seguros e inclusivos para todos».
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