Universitatea Craiova, o clube mais português da Roménia
O Universitatea Craiova é o clube mais português da Roménia e passou o ano na liderança do campeonato, competição que procura conquistar pela primeira vez em 45 anos e pela qual esteve na luta nos últimos anos, mas sem sucesso. Além disso, conseguiu passar as três fases de qualificação da UEFA Conference League e marcou presença na fase de grupos pela primeira vez desde 1983.
A BOLA esteve à conversa com três dos sete elementos portugueses da equipa romena, incluindo o único jogador luso do plantel, Samuel Teles, o treinador principal Filipe Coelho e o diretor desportivo Mário Felgueiras para perceber esta remodelação que aconteceu na sua estrutura em 2025. Um ano de clara evolução, mas o trabalho ainda não está feito.
Tudo começou com a chegada do diretor desportivo, antigo guarda-redes do Paços de Ferreira, mas também de Cluj e Brasov, dois clubes romenos, que terminou a carreira em 2019. Convidado a assumir este papel no Universitatea Craiova, dois anos atrás, foi Mário Felgueiras quem trouxe vários compatriotas para a estrutura em 2025 e também o atleta Samuel Teles, que já jogava no país, embora pelo Otelul.
Já a equipa técnica chegou em novembro, após a demissão de Mirel Radoi, e aí chegaram a ser um total de sete lusos (ou até se podem dizer oito). Bruno Romão e Markus Berger (jogou por três clubes em Portugal) como adjuntos e Ricardo Vasconcelos como vídeo analista. Hugo Pina é o chefe scout e Tiago Joana o fisioterapeuta/rehab coach, além dos já referidos.
Um gigante adormecido
O Univ. Craiova é um dos clubes mais históricos na Roménia. Com 55 títulos oficiais e 26 campeonatos conquistados, além de uma presença nos quartos de final da UEFA Champions League em 1981/82 e nas meias-finais da UEFA Europa League na época seguinte, a história do clube fala por si, mas a realidade é que o presente recente não tem sido a esse nível, longe disso: três taças conquistadas neste século, a última em 2021, e ainda uma passagem pelo segundo escalão em 2013/14.
O objetivo passa por voltar a crescer, pouco a pouco, e o clube fez um grande passo nesse sentido esta temporada ao chegar à fase de liga da Conference, falhando o acesso à fase a eliminar por apenas um golo (25.º lugar). Na liga romena, FCSB e Cluj, os habituais vencedores, estão a meio da tabela e esta pode ser uma oportunidade de ouro para acordar um gigante adormecido.
A Roménia também é um país onde se vive muito o futebol e em Craiova existe uma enorme massa adepta, que cria essa pressão de voltar a ganhar. Uma pressão que o clube vê como positiva e motivadora para atingir os objetivos esta temporada e nas seguintes.
Primeiro lugar na liga
«Há por parte do patrão, dos acionistas, da direção, uma vontade muito grande em tornar o clube um clube grande, não só na Roménia, mas também na Europa», conta Felgueiras. «Quando digo grande, obviamente que seja com participação assídua nas competições europeias, e este ano conseguimo-lo fazer. Há muito tempo, mais de 30 e tal anos, que o clube já não participava nas fases de grupo, portanto foi muito importante. O que o clube realmente quer é estar aqui nestes palcos, não só uma vez e de forma esporádica», explicou.
«O início de época foi muito positivo», afirmou Teles. «Estava no Oțelul, é um clube diferente. O Univ. Craiova é um clube grande e assim que tive o interesse, fiquei muito satisfeito, porque conhecia a realidade. Gostei muito, íamos lutar pelas competições europeias, o que ia de encontro àquilo que eram também os meus objetivos. O treinador que me trouxe, o Mirel [Radoi] valorizou-me muito. Temos uma equipa muito forte, competitiva, mas felizmente, com o meu trabalho, acabei por chegar, jogar e termos sucesso. Estamos em primeiro, na luta e demos uma muito boa imagem na Europa, onde eles já não iam há muitos anos. Estamos a viver uma época muito boa e fico muito feliz por fazer parte, ainda vai a meio e pode ser muito mais bem-sucedida», apontou o médio luso.
«É um clube que tem uma massa associativa enorme, apaixonada pelo futebol. É um clube grande. Eu não tinha tanto essa noção e creio que as pessoas em Portugal não têm a noção do quão importante é o Craiova na Roménia», admitiu Coelho. «30 mil adeptos na bancada, um estádio fantástico, pessoas que gostam muito de futebol. A adaptação acabou por ser fácil. É um clube que nos permite trabalhar, dá-nos todas as condições, boas infraestruturas. Estou muito satisfeito com aquilo que encontrei e resta-me trabalhar para atingir os objetivos», afirmou o técnico.
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