Clássico: o Sporting 'by' Villas-Boas
A primeira boa notícia tem a ver com o clima: o clássico será jogado sob uma chuva normal, sem grandes rajadas de vento e com uma temperatura acima dos 10 graus na cidade do Porto. Nos dias que correm, é um prognóstico positivo enquanto um país de sol e à «beira-mar plantado» ainda vai aprendendo a gerir alterações climáticas que só os ignorantes teimam em contrariar. FC Porto e Sporting defrontam-se num clássico animado pela derrota dos dragões na jornada anterior frente ao Casa Pia, o que levou André Villas-Boas a admitir que o bicampeão atravessa um melhor momento, frase a que devemos atribuir a devida dose de mind games, tanto para adormecer o rival como para espicaçar o plantel azul e branco.
Se analisarmos as palavras do presidente do FC Porto apenas de forma literal é legítimo dizer tem razão, o Sporting é uma equipa superior na soma das individualidades. Se tivesse de escolher um onze com os melhores das duas equipas, apenas três azuis e brancos seriam titulares de caras - Diogo Costa, Bednarek e Froholdt (até agora o melhor jogador do campeonato) - admitindo que a posição de lateral-direito estaria aberta entre Martin Fernandes e Fresneda. No resto, Diomande, Maxi Araújo, Hjulmand, Pedro Gonçalves, Geny Catamo, Trincão e Luis Suárez dificilmente seriam arredados por Thiago Silva, Kiwior (o lateral-esquerdo), Gabri Veiga, Pepê, Borja Sainz e Samu.
Mas a soma de individualidades não significa uma equipa melhor. Com muito mérito de Francesco Farioli, o FC Porto tem sido o coletivo mais sólido até ao momento, sem pruridos em baixar linhas e mantendo a identidade, apresentando-se como uma fortaleza, sofrendo uma média de 0,5 jogos por jogo em todas as competições, quase metade do registo dos leões (0,91 por encontro), ainda que na Europa uma coisa é defrontar o Rangers, Viktoria Plzen ou Utrecht e outra o PSG, Juventus ou Bayern.
Do ponto de vista ofensivo, o Sporting apresenta-se com mais argumentos: 89 golos marcados em todas as provas contra 67 (2,54 vs. 2,03 golos por jogo), os cinco melhores marcadores dos leões têm mais 15 golos que o top 5 dos azuis e brancos e um ponta de lança (Luis Suárez) em muito melhor forma que Samu (um golo do espanhol nos últimos cinco jogos, cinco do colombiano no mesmo período).
Por se tratar de duas equipas de perfis diferentes, não se deseja outra coisa que não uma bela serenata à chuva no sempre bem tratado relvado do Dragão.