Ânimos exaltados no final do clássico - foto: Rogério Ferreira/Kapta +
Ânimos exaltados no final do clássico - foto: Rogério Ferreira/Kapta +

Clássico: perdemos todos

Fraca qualidade do duelo entre líder e campeão não permite ofuscar os maus exemplos que continuam a vir de fora das quatro linhas

Só quem não viu o jogo é que pode ficar iludido pela estatística. O clássico teve 20 remates, mas cinco deles surgiram na mesma jogada, a que deu vantagem ao FC Porto, com o reforço Seko Fofana a marcar naquela que foi a única finalização enquadrada dos dragões.  

O Sporting, por seu lado, atirou três vezes à baliza, mas duas delas no penálti que deu o empate ao minuto 90+10, por via da recarga de Luis Suárez, que antes viu Diogo Costa defender. 

O clássico teve o primeiro remate enquadrado ao minuto 57 - e sem qualquer perigo -, o que mostra que o duelo entre os dois primeiros classificados da Liga ficou muito aquém da expectativa. Sobretudo na primeira parte, período em que o desaparecimento dos apanha-bolas não se teria notado tanto.  

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Faltou risco ao duelo do Dragão, sendo que a responsabilidade maior estava, naturalmente, do lado dos visitantes. O Sporting até entrou de forma autoritária, a querer pegar no jogo, mas sem conseguir provocar desequilíbrios na defensiva do FC Porto, recuperada a dupla Bednarek-Kiwior para o eixo. Rui Borges decidiu colocar Pedro Gonçalves pelo meio e encostar Trincão à esquerda, mas para fechar melhor o corredor central, e fazer vigilância apertada a Varela, a equipa leonina ficou menos confortável do ponto de vista ofensivo. Embora focado sobretudo em não sofrer (ou não perder, melhor dizendo), e minimizado ofensivamente pela lesão de Samu, o FC Porto conseguiu chegar à vantagem numa insistência meritória, mas se o empate parecia bom resultado à partida, amargo depois terá ficado.

O Sporting voltou a garantir pontos na compensação, mas foi a equipa mais penalizada pelo desfecho de um clássico que deixará poucas ou nenhumas saudades, numa espécie de xadrez jogado quase sempre para o lado, em que o medo de perder pesou mais do que a necessidade de ganhar. No duelo entre líder e campeão o futebol jogado esteve longe de justificar o artifício em redor, levado para extremos que nada promovem a imagem da Liga, só a mancham ainda mais.  A temperatura não subiu onde era suposto, e entre táticas de desestabilização, censura a jornalistas, cones sem bolas e decorações habilidosas, os verdadeiros protagonistas do jogo não conseguiram sobressair. Parece que ninguém perdeu, mas na verdade andamos a perder todos.