Hélder Postiga foi o convidado do 90+3

Postiga teve um pé no Benfica e até indicou ao clube um dos melhores da História da Luz

Antigo avançado lembrou Mourinho, Jorge Costa e o Panenka à Inglaterra entre revelações

Hélder Postiga falou sem filtros no videocast 90+, distribuído por A BOLA, e deixou um retrato rico e revelador do seu percurso no futebol português, das figuras que o marcaram e dos momentos que ajudaram a redefinir a mentalidade da Seleção Nacional. Antigo internacional português, com passagens por FC Porto e Sporting, Postiga revisitou episódios decisivos da carreira, misturando bastidores, convicções pessoais e memória histórica.

A chegada de José Mourinho ao FC Porto surge como um verdadeiro ponto de viragem, não apenas para o clube, mas para todo o futebol nacional. Postiga recorda o primeiro contacto com o treinador de forma quase simbólica: «Apresentei-me ao Mourinho como se ele não soubesse quem eu era.»

O antigo jogador afirma sobre o impacto imediato do técnico: exigência máxima, hierarquia redefinida e uma nova linguagem futebolística. «Até chegar o Mourinho, não sabia o que era uma transição defensiva e ofensiva», confessa.

No crescimento individual, há um nome que Postiga não esquece: Jorge Costa. «Foi das pessoas mais importantes no meu crescimento», afirma, destacando a liderança, a exigência diária e o papel pedagógico do antigo capitão portista dentro e fora do balneário.

O percurso de Postiga podia ter seguido outro rumo, revela o próprio. O avançado esteve muito perto da Luz: «Eu tive um pé no Benfica e um telefonema de Pinto da Costa fez-me voltar ao FC Porto». Um episódio que espelha o peso das decisões de bastidores no futebol português e a capacidade de influência do então presidente dos dragões.

No regresso ao FC Porto, Postiga aborda também a relação com Co Adriaanse, num período de transição após a era Mourinho. E, apesar das mudanças de clube e de contexto, há uma constante que se sobrepõe a tudo: a Seleção Nacional. «Não há maior motivo de orgulho do que representar a seleção», sublinha, numa declaração que ajuda a perceber a ligação emocional que manteve sempre com a camisola das quinas.

A comparação entre os dois grandes de Lisboa e Porto é feita sem rodeios: «A exigência do Sporting não se compara à do FC Porto». Uma frase forte, que reflete realidades internas distintas e culturas competitivas que marcaram a carreira do avançado.

Postiga revelou ainda um papel pouco conhecido no mercado de transferências: «Eu indiquei o nome de Jonas ao Benfica». O antigo internacional português recorda que o brasileiro «tinha propostas para a Arábia Saudita, Roma e Olympiakos e recusou», antes de se tornar uma das figuras mais impactantes da história recente do clube da Luz.

Mas é na Seleção que surge um dos momentos mais simbólicos do seu testemunho. «Portugal-Inglaterra é o jogo que muda a mentalidade dos portugueses em relação à Seleção». O Euro 2004 marcou uma geração e Postiga esteve lá, numa partida que ficou gravada na memória coletiva e também na história pessoal do avançado.

A camisola, o contexto, o desempate por penáltis. E o momento eterno: «O Panenka contra Inglaterra. Quando parto para a bola já sabia o que ia fazer». Não foi improviso, foi convicção. Um gesto técnico transformado em símbolo de confiança e mudança de mentalidade.

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