Médio do PSG, Figura do Ano para A BOLA, ressalva que está muito satisfeito onde está mas não esconde o interesse.

Vitinha: «Gostaria de ser treinado por Guardiola, mas adoro o treinador que tenho»

Wolverhampton foi uma questão de contexto, lembra Vitinha, que não guarda mágoa de Nuno Espírito Santo. Aponta a um regresso, um dia, à Premier League para absorver o ambiente proporcionado pelos adeptos

— O futebol inglês chegou cedo demais?

— Não, o contexto não foi o melhor para mim. A forma como o Wolverhampton jogava realmente não me favorecia e vemos milhentos casos de jogadores que em certos contextos não funcionam e noutros voam. E tu dizes ‘o que é que aconteceu? Era o clube? Era o treinador? Era ele?’. Simplesmente, é assim. Há jogadores que jogam melhor em certos e determinados estilos de jogo, outros noutros, outros com um treinador, outros com outros. E não era o meu contexto, não era. Não é desculpa, porque dei sempre o máximo. Quando entrei tentei dar o máximo. Portanto, estou de consciência supertranquila. Simplesmente não deu. Não há que pensar muito.

— Já pensou em ligar a Nuno Espírito Santo e dizer-lhe ‘Vê mister, eu tinha razão em querer ter a bola mais tempo’?

[Risos] Claro que não, claro que não. O Nuno Espírito Santo, o mister Nuno Espírito Santo fazia as suas escolhas e certamente queria o melhor para que o Wolverhampton tivesse resultados, porque o sucesso da equipa também era o sucesso dele, e está tudo bem. E, provavelmente, até se me metesse… Quem me prova que daria resultado e que eu não saía também mal? Não sabemos, nunca saberemos. Fez as suas escolhas? Está tudo bem. Não guardo rancor nem mágoa de ninguém.

— Mas o futebol inglês ainda ficou aí dentro na perspetiva de um dia voltar ou não?

— O futebol inglês é fantástico, principalmente pelo espetáculo que é, e tenho aquele sabor amargo de não ter saboreado a melhor parte da Premier League, que são os adeptos. Fui num ano de Covid. Quando jogava, jogava com o estádio vazio. Gostava muito de um dia presenciar aquela liga verdadeiramente como é, com os estádios cheios, com esse espetáculo que oferece.

— Numa equipa que queira ter bola…

— Talvez, ou talvez na altura já não e queira um desafio diferente. Não sei. Mas sim, para o meu sucesso individual, é preciso realmente ser o contexto certo. Mas gostava de experimentar realmente a Premier League, porque é uma liga fantástica.

— Se pudesse escolher um treinador antes do final da carreira para que o treinasse, qual seria?

— Para ser coerente, diria Guardiola. O estilo de jogo é muito parecido com o do Luis Enrique, da mesma filosofia, e com o meu. Por isso, teria muita curiosidade em saber como seria ser treinado por ele. Mas estou muito bem onde estou. Adoro estar onde estou e adoro o treinador que tenho. É isso. É importante dizê-lo.

—  Marçal disse numa entrevista, que quando o Vitinha soube que não ia ficar no Wolverhampton lhe respondeu da seguinte forma: ‘Vou chegar lá ao FC Porto, vou partir tudo e estar um ano depois numa das equipas de topo da Europa.’ Essa mentalidade continua aí?

— Sim. Sim, no meio das dúvidas todas sabia… Eu sabia, não sabia… mas acreditava mesmo nisso. Não me lembro de ter dito isso ao Marçal e, com isto, não estou a dizer que está a mentir. Estou a dizer que não me lembro. Ou seja, é daquelas coisas que… para mim podia ser natural porque acreditava naquilo…, mas ele ao ouvi-lo deve ter pensado ‘este gajo é maluco. Este miúdo…’ Tinha 20 anos ou 19. ‘Este miúdo está a dizer isto e aqui não joga. Acabou de chegar e está a dizer que vai voltar para o FC Porto, e agora vai jogar e vai para… Não conhece o futebol.’ Porque seria natural não acontecer, mas se calhar já tinha essa ideia de que conseguia. E, às vezes, é por pormenores, podia não ter conseguido. Felizmente, consegui.

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