Heróis do Mar visitaram A BOLA e mostraram que têm outras habilidades além do andebol
Antes do regresso aos clubes, A BOLA recebeu três dos Heróis do Mar, que contribuíram de foram decisiva para o melhor resultado de sempre da Seleção Nacional de andebol em Campeonatos da Europa, o 5.º lugar conquistado na Dinamarca.
— Salvador, além do histórico 5.º lugar, foi eleito para o sete ideal do Europeu. Foi uma surpresa?
— Salvador Salvador: Nunca estamos à espera de ser distinguidos individualmente, é muito bom, mas acaba por ser fruto do trabalho que é feito coletivamente. A nível coletivo foi um Europeu muito, muito positivo da nossa parte e, acima de tudo, concluímos o objetivo a que nos propusemos, que era a melhor classificação portuguesa de sempre num Europeu.
The Portuguese 𝐰𝐚𝐥𝐥 🧱🛡️ The All-star Team best defender: SALVADOR SALVADOR #ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/hMDrYgR4QS
— EHF EURO (@EHFEURO) February 2, 2026
— E acreditou sempre que iam conseguir chegar lá?
— Salvador Salvador: Acreditei. Acreditar, acreditamos sempre. Claro que temos sempre uma dúvida ou outra durante a competição. O primeiro murro no estômago, se é que se pode usar a expressão, o primeiro murro no estômago foi o empate contra a Macedónia, ainda na fase de grupos.
— E a sua pequena dúvida foi a derrota com a França?
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— Rasmus Boysen (@RasmusBoysen92) February 1, 2026
— Salvador Salvador: Sim, mas isso depois acaba por vir mais tarde e de outra maneira. Acho que o primeiro empate com a Macedónia deu-nos ali um bocadinho um choque emocional, porque estávamos à espera, se calhar, de conseguir nos dois primeiros jogos a classificação direta para a Main Round, e nós entrámos no último jogo sem saber sequer se nos íamos qualificar para a Main Round. Se calhar foi um choque necessário para depois conseguirmos o resultado brutal que foi ganhar à Dinamarca. Depois na Main Round temos dois jogos também muito complicados, o jogo com a Alemanha e o jogo com a França — especialmente com a França, que ao intervalo estamos a levar uma tareia [28-15]... Mas depois, felizmente, conseguimos dar uma resposta muito positiva no jogo com a Noruega e com a Espanha, que nos mete na luta pelo quinto e sexto lugar, que foi o objetivo que tínhamos falado antes de começar o Europeu. Por isso, acho que é um Europeu extremamente positivo da parte de Portugal. A conquista individual surge muito pelo facto de ter havido este Europeu positivo a nível coletivo. Também há trabalho feito individualmente, mas eu não jogo sozinho, não defendo sozinho, preciso dos senhores que estão na baliza também, preciso dos senhores que estão ao meu lado para defender...
𝗧𝗛𝗘 𝗔𝗟𝗟-𝗦𝗧𝗔𝗥 𝗧𝗘𝗔𝗠 𝗜𝗦 𝗛𝗘𝗥𝗘 🌟
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LW: August Pedersen 🇳🇴
LB: Simon Pytlick 🇩🇰
CB: Gísli Kristjánsson 🇮🇸
RB: Francisco Costa 🇵🇹
RW: Mario Sostarić 🇭🇷
LP: Johannes Golla 🇩🇪
GK: Andreas Wolff 🇩🇪
BD: Salvador Salvador 🇵🇹
YP: Francisco Costa 🇵🇹
MVP: Mathias Gidsel 🇩🇰 pic.twitter.com/cmMQFx4KbX
— Sente o prémio como um reconhecimento do esforço?
— Salvador Salvador: Sim, quero acreditar que sim. É fruto do trabalho que tenho vindo a realizar tanto na Seleção como no clube. É uma motivação extra para que continue a fazer as coisas, se calhar, da maneira que estou a fazer e cada vez mais e melhor. Por isso, estou extremamente feliz e sigo o meu trabalho.
A shot for history 🥹❤️🇵🇹
— EHF EURO (@EHFEURO) January 30, 2026
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— Gustavo, aproveitou para se ambientar?
— Gustavo Capdeville: Pode dizer-se que sim [sorri].
— Uma vez que vai mudar-se de armas e bagagens para a Dinamarca no final da época [Holstebro], como foi a experiência em Herning? Superou as expetativas?
— Gustavo Capdeville: Foi positivo. Em termos coletivos foi como o Salvador disse: cumprimos o objetivo, que era a melhor classificação de sempre. Depois da vitória perante a Dinamarca ficou um sentimento agridoce, porque todos sentimos que podíamos ir mais longe, e acreditamos que podemos e futuramente vamos conseguir, sem dúvida. Em termos individuais, foi bom estar na Dinamarca. Vai ser a minha casa nos próximos dois anos. Foi para me ambientar um pouco à cultura, ao país, e acho que foi bom.
— Que é espetacular em termos de andebol. Qual foi a sensação de estar naquele pavilhão com 15 mil pessoas?
HOW? How did he do that? 🤯😱#ehfeuro2026 #puregreatness #handball pic.twitter.com/Iu6LMlTyg6
— EHF EURO (@EHFEURO) January 16, 2026
— Gustavo Capdeville: É muito bom. O andebol vive-se de maneira diferente e os melhores jogadores do mundo — claro que têm outros países que formam muitos bons jogadores — mas a Dinamarca é de onde saem os melhores jogadores. São campeões de tudo: olímpicos, europeus, mundiais... E formam os melhores jogadores. É nesse intuito que eu também pretendo ir para a Dinamarca, para evoluir enquanto jogador.
— Já deve ter arranjado uns ‘amigos’ com o resultado que fizeram perante a Dinamarca!
🇵🇹🧤 CAPDEVILLE STANDS TALL.
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Penalty (x2) saved at 8–8.#ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/aXpjkxdlYT
— Gustavo Capdeville: Acho que foi um bom um cartão de visita [risos]. É sempre bom. Eu que vou jogar para a Dinamarca, ganhar à Dinamarca perante 15 mil pessoas... fiquei marcado [sorri]. O meu diretor até achou piada e disse que toda a gente já me vai conhecer no próximo ano.
— Foi o momento chave deste Europeu?
— Gustavo Capdeville: Acho que sim. Depois do empate com a Macedónia as coisas abalaram um pouco, mas nós estávamos cientes da nossa qualidade. Nem sempre vamos jogar bem nem ganhar a toda a gente facilmente, e acho que foi isso que aconteceu. Estávamos cientes que o jogo com a Dinamarca ia ser difícil e tínhamos de fazer um jogo muito bom. Mas acho que não nos abalou assim tanto quanto as pessoas pensam. Claro que ficámos tristes, empatámos, não fizemos um jogo bem conseguido, mas estávamos prontos e sabíamos que era muito possível ganhar à Dinamarca. Tanto era que ganhámos e fizemos um grande jogo e mostrámos, mais uma vez, que podemos ganhar a qualquer seleção.
— Toda a gente queria ganhar à Dinamarca. Toda a gente acha que é possível ganhar à Dinamarca, mas a verdade é que ninguém conseguia. António Areia, como é que isso aconteceu?
🎨 ART BY ANTONIO AREIA.
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Crazy spin. Pure flair. 🇵🇹✨ #ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/WCBGgSjyUb
— António Areia: Foi um sentimento incrível que, perante 15 mil pessoas, tenhamos ganho à equipa da casa, uma equipa que era invencível já há muitos anos. Acho que o que eles referiram é muito importante: o abanão que nós levámos em relação ao jogo da Macedónia fez-nos acordar um pouco. Não que não estivéssemos cientes de que tínhamos de fazer muito, mas no sentido de que 'OK, é possível chegar lá, mas é preciso dar corda ao sapato e se calhar trabalhar o dobro dos outros para podermos atingir os objetivos que nos tínhamos proposto'. Esse empate com a Macedónia fez com que abríssemos um bocado os olhos, puséssemos os pés na terra e pensássemos 'OK, não é assim tão fácil como se calhar inconscientemente pensávamos', consciente ninguém pensava nisso, mas inconscientemente pode acontecer.
𝑹𝒆𝒊𝒈𝒏𝒊𝒏𝒈. 🇵🇹👑@AndebolPortugal #ehfeuro2026 #puregreatness #handball pic.twitter.com/3fpzTNof7l
— EHF EURO (@EHFEURO) January 20, 2026
—Toda a gente acreditava que levaria essas duas vitórias para a fase seguinte
— António Areia: Nós acreditávamos que íamos ganhar os dois primeiros jogos, como é lógico. Sabemos o nível que temos — não menosprezando as outras seleções — mas sabemos o nível a que conseguimos jogar e aquilo em que acreditamos é que conseguimos ganhar esses dois jogos. Como não aconteceu, pusemos um bocado o dobro do sentido para o jogo com a Dinamarca e depois conseguimos uma exibição brilhante.
— Foi tudo perfeito? Foi o que tinham planeado? Houve momentos em que foram de inspiração individual?
— António Areia: Foi um misto de fatores, diria. E é interessante porque não é a primeira vez que acontece. Quando jogámos na Suécia, perante 12 mil suecos, também ganhámos à Suécia; ganhámos à Noruega também em casa da Noruega; e agora conseguimos ganhar à Dinamarca em casa da Dinamarca. Portanto, parece que estamos predestinados a fazer coisas bonitas, coisas grandes pelo nosso País. Felizmente aconteceu. Fizemos um jogo incrível, tivemos uma prestação a roçar a perfeição em todos os aspetos do jogo e fez com que ganhássemos à, se calhar, melhor seleção do mundo neste momento. E a partir daí desenrolou-se um Europeu brilhante.
Pedro Tonicher comes in and starts saving against Denmark 🇩🇰🇵🇹 MADNESS 😳#ehfeuro2026 #puregreatness #handball @AndebolPortugal pic.twitter.com/WgVl3sujUa
— EHF EURO (@EHFEURO) January 20, 2026
— Gustavo, foi para este Europeu sem o 'parceiro' oficial, o Rêma, foi uma responsabilidade acrescida? O Valério e o Tonicher estiveram bem, mas eram estreantes
— Gustavo Capdeville: Acaba sempre por pesar um pouco e eu falei com eles para tranquilizá-los, porque acaba por acarretar mais de responsabilidade. Era a minha oitava ou nona competição, tenho mais experiência e mais responsabilidade. Tentei tirar-lhes a responsabilidade por ser o primeiro Euro, querer mostrar, querer estar bem. É a primeira vez têm de desfrutar.
— E vocês estavam tranquilos?
— Salvador Salvador: [risos]Nós acabamos por levar as coisas sempre bem. O Rêma é sempre uma baixa de peso, até porque tinha feito a última competição e o tempo foi passado muito com o Cap [Capdeville] e o Rêma. A lesão mesmo em cima do Europeu e ter de dar essa responsabilidade a dois guarda-redes que não estão habituados a pisar os grandes palcos é sempre complicado. Mas estiveram bem e, claro, que a responsabilidade cai mais sobre o Cap
— Gustavo, é mais difícil defenderes um remate do Kiko ou do Gidsel?
— Gustavo Capdeville: É diferente. São ambos bastante difíceis [risos].
— Depois do Mundial, neste Europeu voltou a estar em destaque. Com 20 anos, apenas. Sentem que os nomes portugueses são mais reconhecidos? Já não é só a Seleção, é a seleção de Portugal mas são também as suas figuras?
António Areia, what kind of magic is that? 😱😍#ehfeuro2026 #puregreatness #handball @AndebolPortugal pic.twitter.com/bnDZuOg1Oz
— EHF EURO (@EHFEURO) January 20, 2026
— António Areia: É inevitável depois daquilo que nós temos feito ao longo destes anos. Demorou tanto a chegar lá e foi um caminho duro. Eu fazia parte desse grupo em que as qualificações para estas grandes competições eram apenas miragens. É preciso dar muito valor àquilo que os clubes têm feito nas competições europeias: com o Benfica a ganhar uma Liga Europeia, com o FC Porto há uns anos a fazer Ligas dos Campeões inacreditáveis, e agora o Sporting elevou o nível, também da Liga dos Campeões, é altíssimo. O jogador português começa a ser reconhecido, toda a gente sabe inevitavelmente quem, tem muito mais valor e toda a gente joga contra Portugal em sentido, porque já toda a gente percebeu que Portugal é capaz de ganhar a qualquer seleção. É gratificante também perceber que não só estas gerações que aparecem agora de muito talento começam a ser cada vez mais reconhecidas, mas também nós que cá estamos há algum tempo acompanhamos este reconhecimento. Esta mescla de gerações é importante e faz com que nós, de uma forma também consciente, comecemos a acreditar cada vez mais que uma medalha, num futuro próximo.
António Areia, o mágico 🪄🇵🇹#ehfeuro2026 #puregreatness @AndebolPortugal pic.twitter.com/72HBkfbBOd
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— Antes de ir para o Europeu disse que acreditava que era já.
— António Areia: Só faz sentido estas competições serem encaradas desta forma. Se conseguimos um 4.º lugar num Mundial em que o percurso principal foi quase sempre com equipas europeias, faz sentido pensarmos dessa forma e sonharmos. E realmente acreditamos que somos capazes de o fazer. E este grupo não se nega a isso, não se nega a esses objetivos históricos, tanto é que temos conseguido fazer história ao longo dos anos. Portanto, se há coisas a melhorar eu acho que sim, e se há resultados a melhorar também acho que é possível. E se no Mundial se traduz melhorar um 4.º lugar, traduz-se num ter3.º lugar, pelo menos, que já é uma medalha.
Cheeky assist from Salvador Salvador 😍🇵🇹#ehfeuro2026 #puregreatness pic.twitter.com/tZSKOPJRpc
— EHF EURO (@EHFEURO) January 26, 2026
— Quando chegaram, o aeroporto tinha muitos adeptos, têm noção desse carinho?
— Salvador Salvador: Dou graças a ter a oportunidade de estar nesta geração em que vamos todos os anos a grandes competições, tenho a oportunidade de jogar todos os anos grandes competições e a sonhar muito alto. Eu cresci a vê-los — a ele, a ver o Rui, o Vítor — e nem sempre jogávamos grandes competições, e nem sempre dava para ver equipas portuguesas a fazer boas prestações nas grandes competições. E por isso sou um felizardo por ter apanhado um equipa com uma mescla de gerações, um grupo extremamente forte que ambiciona lutar por grandes feitos. As receções são cada vez maiores porque os resultados têm ajudado. Vivemos o mês numa bolha, mas percebemos pelas chamadas, pelas redes sociais, pelas pessoas que lá estão a apoiar-nos.
— Disse que viam as redes sociais. Gustavo o que viu?
— Gustavo Capdeville: Não tenho redes sociais, mas a minha mulher mandava-me e a minha mãe — a minha mãe está sempre no Facebook, ela papa o Facebook todo! Manda-me as notícias em screenshot. Diz: 'Estão a falar de ti, estão a falar do Paulo Jorge, ganharam, já têm 300 comentários, tudo a falar bem!'. E quando falam mal: 'Agora estão todos a falar mal, só reclamam de Portugal porque não ganham' [risos]. E eu respondo: 'Faz parte, não vamos ganhar sempre. E os que hoje falam mal, amanhã vão falar bem, não te preocupes'. E foi o que aconteceu. A realidade é essa. De certeza que os que falaram mal de nós contra a Macedónia, depois da Dinamarca éramos os melhores do mundo. E a realidade do desporto é um pouco assim: quando perdemos muitas vezes somos maus e quando ganhamos somos os melhores do mundo. E isto foi uma distância de dois dias de empatar com a Macedónia e, se calhar, não passarmos e toda a gente pôr em dúvida a nossa qualidade, o nosso treinador, os jogadores, isto e aquilo, e depois passado dois dias com a Dinamarca fizemos um feito histórico e já éramos os melhores do mundo outra vez. E temos de estar cientes disso, que o desporto é assim. Mas acho que este grupo tem a cabeça no sítio e não se deixa abalar nem por uma derrota nem por uma vitória, e acho que este é o caminho que nós queremos manter.