Surfista de Carcavelos torna-se a segunda portuguesa a garantir uma vaga no circuito mundial que começa em abril na Austrália, juntando-se a Yolanda Hopkins

Kika Veselko: «Este é o meu sonho desde os nove anos!»

Francisca Veselko chegou esta terça-feira a Lisboa com o passaporte para o circuito mundial de surf no bolso e ainda a acordar do sonho que está a viver. A surfista de 22 anos mostrou-se muito feliz e para já ainda não faz planos. A não ser, tentar usar o número 19 nas costas

Cansada, mas feliz, Francisca Veselko regressou esta manhã a casa depois de uma longa viagem que a trouxe do Havai, onde conquistou o sétimo lugar no Pipe Challenger que lhe abriu as portas do Championship Tour (CT), o circuito mundial onde vai juntar-se a Yolanda Hopkins.

«Isto é o meu sonho desde os nove anos, quando foi a primeira vez que competi. Ainda nem parece verdade, parece mesmo esse sonho de uma miúda com dois totós, pequenina, cheia de raça, completamente apaixonada pelo mar, pelo surf e pela competição. Tem sido uma jornada incrível, muitos altos e baixos e acho que estou muito orgulhosa da minha resiliência e da minha dedicação nos momentos piores», disse a surfista de Carcavelos.

As amigas que a esperavam sorriam com orgulho. «Ainda nem acredito que estou no CT, não parece mesmo real, mas é o momento com que sonho há muito tempo e acreditava que era possível. E espero que com este feito consiga inspirar a nova geração, que acreditem que é possível chegar lá. Nós, aqui em Portugal, somos pequenos, mas somos grandes, não só no surf, mas em muitas outras modalidades que eu também acompanho, com ótimos resultados. Somos um país com muito talento no desporto. E, sem dúvida, que isto também não era possível sem os meus pais, sem os meus patrocínios, da minha equipa toda, do meu manager, da minha psicóloga, do meu preparador físico, Rodrigo, e do meu grande treinador Rodrigo Sousa, que está comigo desde os oito anos e é como se fosse um pai para mim. Tem sido uma jornada linda junto dele e estou no CT, não consigo acreditar… Estou muito orgulhosa de representar Portugal no mais alto nível», insistiu, tentando não esquecer ninguém neste percurso que já leva 14 anos.

O telefonema mágico
Kika Veselko foi surpreendida com a qualificação e não fazia ideia do que tinha alcançado depois de sair da praia. «Foi engraçado. Houve alguém que me mandou no Instagram um screenshot do live ranking e eu não fazia ideia que estava qualificada, não tinha ido ver novamente. Fui ter com o Rodrigo [treinador] e disse-lhe: 'Rodrigo, vê lá aí o live ranking'. O Rodrigo abriu e quando vimos não conseguimos acreditar. Fizemos logo uma chamada para a WSL porque acho que houve um problema com os pontos que não me conseguiram dizer logo. Então fomos nós que fomos atrás porque queríamos mesmo saber se aquilo era real. E tivemos a confirmação por chamada e foi uma festa lá em casa! Estava lá também o Joaquim Chaves, o meu melhor amigo desde os meus oito anos!»

Além de Yolanda Hopkins e agora Kika Veselko, ainda há hipótese de Portugal poder contar com outra portuguesa, Teresa Bonvalot, no circuito mundial — falta a última prova do circuito secundário da WSL, em Newcastle.

Volta ao Mundo em 12 etapas
A temporada do CT arranca em abril, em Bells Beach (Austrália), seguindo depois para Margaret River e Gold Coast, ambas também na Austrália, Punta Roca (El Salvador), Saquarema (Brasil), Raglan (Nova Zelândia), Teahupoʻo (Taiti), Cloudbreak (Fiji), Lower Trestles (Estados Unidos), Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), Peniche (Portugal) e Pipe Masters (Estados Unidos).

«É incrível poder partilhar este momento com a Yolanda, também uma grande inspiração. Tive o prazer de partilhar um ano, o ano passado, com o Frederico Morais. O Tiago Pires também já lá esteve. Mas no surf feminino somos as duas primeiras. A Teresa Bonvalot também ainda se pode qualificar em Newcastle e isso só demonstra que realmente somos capazes e que o surf em Portugal e na Europa está cada vez mais forte», elogiou.

A entrada na elite da campeã mundial júnior de 2023 é um sonho que vai tornar-se realidade em abril, na Austrália, e vai estender-se por 12 etapas, a penúltima das quais na Praia de Supertubos, em Peniche.

«Vai ser um ano muito comprido, cheio de etapas, com ondas dos meus sonhos, e estar aqui mostra realmente que trabalhar recompensa. Tem sido um caminho duro até aqui, mas tudo valeu a pena»,  considerou Kika, que já se imagina a surfar em Supertubos com o nome nas costas e um número especial nas costas.

«Já há muitos anos que sonho em ter o 'Veselko' nas costas, mas espero que seja possível com o número 19, se não coincidir com o número de nenhuma atleta, porque fui campeã do mundo [júnior] com 19 anos, e com nove foi quando competi pela primeira vez, e a combinação de 19 foi perfeita para mim. Faz todo o sentido. Portugal é dos sítios com mais pessoas a ver o evento, está sempre a praia cheia, e competir em casa, à frente dos meus amigos, da minha família, acho que vai ser incrível mesmo, e é um orgulho poder representar Portugal», rematou.