«N'Doye não é jogador para titular do VSC». Foto Rogério Ferreira/KAPTA +
«N'Doye não é jogador para titular do VSC». Foto Rogério Ferreira/KAPTA +

Início paradigmático do V. Guimarães?

Sentido de pertença é uma rubrica quinzenal de opinião da responsabilidade de André Coelho Lima, jurista, empresário e associado do Vitória SC

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O Vitória começou a sua campanha 2026/27 de um modo nada auspicioso. Mais ainda se virmos que o próximo jogo será em Alvalade. No jogo contra o Arouca tivemos tudo a nosso favor: a equipa do Arouca apresentou-se em campo com um bloco baixo, sem nenhuma vontade de sequer tentar arriscar marcar, dando-nos toda a iniciativa de jogo. Os nossos adeptos disseram presente, como sempre, com 19 mil nas bancadas a puxar do primeiro ao último minuto. Até a arbitragem de Miguel Nogueira esteve dentro do que se deseja, deixando jogar, em estilo inglês, sem permitir o antijogo insuportável das tradicionais simulações constantes do futebol português. Não ganhámos, por isso, porque não fomos capazes.

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Há sempre jogos que correm melhor e outros menos bem, isso faz parte do futebol. O ponto é saber se teremos feito tudo o que estava ao nosso alcance para que corra melhor. Ora, olhando para a equipa escalada e verificar que todos os jogadores são do plantel anterior, com exceção do guarda-redes Oliwier Zych (emprestado pelo Aston Villa), exatamente o mesmo quanto aos que entraram, todos da época anterior com exceção para a entrada desesperada de Doucet, a 30 segundos do final (sendo um médio defensivo). Ora, o que é absolutamente confrangedor é olhar para o banco e não vislumbrar um único avançado. Tínhamos no banco de suplentes como jogadores mais ofensivos Telmo Arcanjo e Miguel Nogueira, de resto, todos eram de posições defensivas! E eu tenho muita dificuldade em compreender isso. Além da situação absolutamente inédita de ter dois guarda-redes no banco; com tantos anos que levo de futebol, nunca vi tal coisa.

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Destaque-se o que há de positivo. O Vitória apresentou um futebol ofensivo e sobretudo de pressão constante; esteve permanentemente em cima do Arouca com alguns lances de desenvolvimento ofensivo de excelente recorte técnico, futebol ofensivo e atraente, a revelar bom entendimento sobretudo entre os seus médios. Concordo por isso com a apreciação do Tiago Margarido ao considerar que «ao nível do plano exibicional criámos o suficiente para sairmos daqui com outro resultado». Mas esse plano esbarrou numa ineficiência ofensiva pouco aceitável. N'Doye esforçou-se imenso mas temos de reconhecer que não é jogador para ser titular do Vitória. Já o sabíamos. Tenho dificuldade em compreender que não tivessem jogado Mosquera e Patrick Ouotro por questões documentais (sobretudo por já cá se encontrarem há muito tempo) mas tenho ainda mais dificuldade em aceitar que, então, se sabíamos antecipadamente dessa contingência, não tenham sido convocados os avançados da equipa B. Essa é, aliás, toda a lógica de ter uma equipa B! Ter um plantel principal menos extenso para poder ser pontualmente municiado por aqueles que aguardam por uma oportunidade.

O futebol será sempre constituído de sorte e azar, de fortuna e infortúnio, mas aquilo que se exige de nós é tudo termos feito para que as coisas corram bem, mesmo que às vezes isso não suceda. Que é o que temos de fazer para que este início não venha a ser paradigmático da época que temos pela frente.

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