Fatoumata Diallo, campeão europeia de 400 metros barreiras (Tolga Akmen/EPA)
Fatoumata Diallo, campeão europeia de 400 metros barreiras (Tolga Akmen/EPA)

Fatoumata Diallo: «Esta medalha tem o sabor de suor e sofrimento»

Medalhada de bronze nos 400 metros barreiras no Europeu de Birmingham, entre lágrimas de emoção e alegria esfuziante, falou sobre conquista do bronze e do novo recorde nacional

Entre o esgotamento físico e a emoção incontrolável, Fatoumata Diallo caiu no tartan assim que cruzou a linha de chegada na final dos 400 metros barreiras nos Campeonatos da Europa de Atletismo em Birmingham. A conquista da medalha de bronze chegou acompanhada de recorde nacional, ao parar o cronómetro nos 53,55 segundos.

Ainda a tentar assimilar o feito, a velocista não escondeu as lágrimas ao descrever o momento de superação. Para Diallo, o pódio e o novo máximo nacional são o resultado de um processo longo e exigente de preparação» diária, em que a capacidade de sofrimento nos treinos foi determinante para alcançar este grande objetivo.

Nem consigo acreditar no que aconteceu, mas tem de se trabalhar e sofrer no treino por isto. É um objetivo de carreira realizado. Ao mesmo tempo que acredito, não consigo acreditar», declarou a atleta do Benfica, de 26 anos, confidenciando que viveu «momentos de dúvida e deslumbre» ao ver a sua conquista materializada na pista, sentindo a recompensa de ter acreditado «até ao fim».

O sucesso da barreirista foi também impulsionado pelo forte espírito de união que se viveu na comitiva portuguesa em Birmingham. Fatoumata Diallo fez questão de sublinhar a importância do ambiente no grupo, confessando que nunca se tinha sentido tão apoiada pelos colegas e pela estrutura. Esse ambiente familiar e o incentivo constante de quem acompanhou a prova de perto deram-lhe a força necessária para não correr sozinha na pista. «É incrível ter esta gente toda aqui comigo», destacou Diallo, que foi ultrapassada na reta da meta pela britânica Emily Newnham, segunda, em 53,33 segundos, ambas atrás da eslovaca Emma Azpletalová, vencedora destacada, com o tempo de 52,91. 

Na base deste crescimento desportivo está também a relação técnica com o treinador Felipe Siqueira. Diallo destacou o papel fundamental da equipa técnica ao longo do último ano, descrevendo Siqueira também como mentor, um «apoio psicológico essencial» para manter a «motivação em alta e a mente serena nos momentos de maior pressão».

Interrogada sobre o significado da medalha no plano simbólico, Diallo descreveu-a como o reflexo de «um sabor de suor, sofrimento e dores de todos os dias, mas sobretudo de um reconhecimento que nem consegue explicar». 

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