Porta fechada no Dragão
A Liga 2026/27 começou tal como acabou a anterior, com o FC Porto foragido aos rivais Sporting e Benfica, assim como ao SC Braga.
A repetida ideia de que o ponto está cada vez mais caro parece contrastar com uma certa ligeireza no planeamento da temporada, na forma de gerir o mercado e as opções, mesmo tendo em conta as ausências ou limitações impostas pela presença de alguns jogadores no Campeonato do Mundo, mas só o tempo permitirá perceber o impacto das quedas.
O que é certo é que o campeão — tradicionalmente apontado como favorito ao título no ano seguinte — foi o único dos candidatos que não tropeçou logo à entrada da praia. Embora seja cedo para tirar conclusões quanto à forma de jogar, na ronda inaugural da Liga os dragões voltaram a fazer da segurança defensiva o elemento diferenciador para os rivais.
De recordar que, na época passada, a equipa de Francesco Farioli sofreu apenas 18 golos no campeonato, menos seis do que o Sporting e menos sete do que o Benfica. A leitura dos números nunca deve ser simplista, mas é fazer a ponte para esta primeira jornada, até porque leões e águias também marcaram dois golos, mas acabaram por sofrer outros tantos, desperdiçando a vantagem que tinham, e que no contexto verde e branco até foi dupla.
Apesar das empolgantes exibições dos sul-americanos Rodrigo Zalazar e Gianluca Prestianni, leões e águias não foram capazes de gerir jogos que até estavam favoráveis, sendo que os erros da equipa de Rui Borges na Amadora foram mais individualizados (sobretudo a má abordagem técnica de Rui Silva no golo do empate), e as falhas da formação agora orientada por Marco Silva, na receção à porta fechada ao regressado Académico de Viseu, foram mais coletivas, com ambos os golos sofridos de bola parada (canto e lançamento lateral).
O FC Porto pode não ter deslumbrado, numa vitória consumada com dois golos de penálti, mas não permitiu sequer que o Alverca entrasse na discussão do resultado, embora a equipa ribatejana tenha feito por isso. Quando tudo o resto falhou, lá apareceu Diogo Costa, com cinco defesas, superado apenas pelos brasileiros Leo Linck (6) e Ewerton (8), que defrontaram Sporting e Benfica, respetivamente.
Enquanto os rivais da Segunda Circular olham com dúvidas para a baliza, no FC Porto só mesmo o mercado pode colocar em causa a influência que o guarda-redes tem. Na equipa e no campeonato.